Após morte de adolescente, Doria diz que não será complacente com violência policial

Em meio a acusações contra a PM, governador diz que policiais que transgredirem devem ser afastados

São Paulo

Em meio ao aumento da letalidade policial e suspeitas de abusos, o governador João Doria (PSDB) subiu o tom contra a polícia e afirmou, nesta quarta-feira (17), que o governo de São Paulo não será complacente com nenhuma violência policial "sob nenhuma justificativa".

"Não justifica que pouco comprometam a ação de muitos", disse o governador, durante coletiva geralmente voltada apenas a anúncios sobre coronavírus.

Doria foi eleito com um discurso linha-dura na questão da segurança, dizendo que a polícia mandaria bandidos para o cemitério. Após uma série de casos de grande repercussão, Doria adotou outro tom.

A declaração foi dada em momento em que dois policiais militares são investigados por suspeita de atuar na morte de Guilherme Silva Guedes, 15 anos, encontrado morto em Diadema (Grande SP), com um tiro na cabeça, segundo a família, após ser levado por dois homens na noite de domingo (14). O caso gerou fortes protestos naquela região.

O secretário da Segurança, general Campos, afirmou que é preciso aguardar o inquérito. "Há um suspeito identificado. Ou seja, o inquérito não foi concluído. O encarregado do inquérito é soberano, mas eu imagino que ainda tenha alguns passos a serem dados. Representação, mandado de busca e apreensão, direito ao contraditório e ampla defesa", disse. "Agora, se isso confirmado, cometeu crime, criminoso é".

Sobre o aumento da letalidade, o secretário da Segurança disse que o assunto deve ser estudado. No entanto, citou como uma das possíveis explicações a chegada mais rápida da polícia a locais de confronto, explicação que a policia adota com frequência em momentos de aumento de mortes por policiais.

Já Doria adotou tom mais duro. "A polícia é a mais bem treinada e preparada do Brasil, o que não confere o direito a esta polícia, ainda que por poucos, de cometerem equívocos, agressões e transgredirem. Aqueles que transgredirem, qeu sejam afastados, julgados e, se culpados forem, que sejam penalizados", disse. Doria.

Outro episódio recente de abuso aconteceu com a prisão de oito policiais militares, após imagens mostrarem os agentes batendo em um homem.

Além disso, em abril o número de mortes causadas pela PM no estado de São Paulo subiu 54,6% comparado aos quatro meses anteriores. Foi o pior quadrimestre desde que o levantamento começou, em 2001.

​Ouvidor da polícia, Elizeu Soares Lopes foi chamado à coletiva e disse que o "bom policial é aquele que respeita a lei e os direito das pessoas".

O governo também foi questionado sobre episódio em que um rapaz usando uma camiseta com suásticas foi liberado pela polícia. Por outro lado, na ocasião, um repórter do UOL que filmava a ocorrência foi empurrado por um PM, além de ter sido intimidado por policiais civis e militares.

O secretário de Segurança, general Campos, afirmou que símbolos são os mais difíceis de se identificar em manifestações, que o material está sendo analisado e que a camiseta podem ser até de uma banda de rock, como alegou o rapaz que usava a roupa.

Já Doria criticou a banda. "Absolutamente condenável e de profundo mal gosto que uma banda de rock queira utilizar uma suástica como símbolo", disse.

A PM tem sido acusada de proteger manifestantes bolsonaristas, enquanto é dura com militantes antifascistas.

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