Descrição de chapéu Obituário Josette Silveira Mello Feres (1933 - 2020)

Mortes: Por cartas, conquistou a amizade de Monteiro Lobato

Josette Feres visitava o escritor com frequência em sua casa no centro de São Paulo

São Paulo

O legado em educação musical, a veia familiar e a proximidade com o escritor Monteiro Lobato e o compositor Heitor Villa-Lobos são alguns capítulos da história de amor e dedicação da educadora musical e professora de piano Josette Silveira Mello Feres.

Bisneta do ex-presidente Prudente de Morais, ela nasceu em uma fazenda em Brotas (246 km de SP) e anos depois mudou-se para Piracicaba (160 km de SP).

Aos 12 anos, já era fã de Monteiro Lobato e se sentia amiga dos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, sua obra emblemática.

Josette Silveira Mello Feres (1933-2020)
Josette Silveira Mello Feres (1933-2020) - Arquivo pessoal

A caminho de completar 13 anos, escreveu a primeira carta a seu ídolo. Monteiro Lobato estava em Buenos Aires, na Argentina, e ela gostaria de saber como ele se sentia lá. Em outra ocasião, pediu ao novo amigo um livro e o ganhou de presente.

Quando Monteiro Lobato retornou ao Brasil, Josette o visitava em seu apartamento no centro de São Paulo. A troca de correspondências entre os dois e as visitas de Josette a Monteiro Lobato continuaram até a morte do escritor, em 1948.

Uma das cartas de Monteiro Lobato a Josette Feres
Uma das cartas de Monteiro Lobato a Josette Feres - Arquivo pessoal

Aos 19 anos, por incentivo da mãe, trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro para estudar canto orfeônico. Josette fora aluna de Heitor Villa-Lobos.

De volta a Piracicaba, prestou concurso na rede estadual e tornou-se professora. Paralelamente, lecionava na escola de música da cidade.

Josette morou em outros municípios paulistas e finalmente em Jundiaí (58 km de SP), para acompanhar o marido Samy Feres, 90, funcionário da Fepasa (extinta em 1998 e incorporada à Rede Ferroviária Federal).

No início, usou a garagem da própria casa para dar aulas de música aos filhos e vizinhos. Em 1971, fundou a Escola de Música de Jundiaí.

Criativa e estudiosa, Josette elaborou uma estrutura de aula de pedagogia musical para bebês. Ela é autora de três livros sobre educação musical. “Minha mãe transformou-se em referência para pesquisadores do mundo inteiro”, diz a filha, a educadora musical Luciana Feres Nagumo, 49.

Há dois anos, inaugurou uma musicoteca em Jundiaí e introduziu o neto Luca Feres Nagumo, hoje com 13 anos, nas tarefas de sua arte. “As pessoas precisam acreditar nas crianças”, dizia.

Josette Silveira Mello Feres morreu dia 8 de junho, aos 86 anos, por complicações de uma úlcera. Deixa o marido, cinco filhos, seis netos e duas bisnetas.

​​coluna.obituario@grupofolha.com.br

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