Descrição de chapéu Coronavírus

Sem procissão, Corpus Christi é celebrado com carreatas e missas virtuais no país

Em Sabará (MG), tapete simbólico foi confeccionado para não perder tradição de 200 anos

Ribeirão Preto

“Vai passar. Tenha fé.” A mensagem, anexada a um tapete simbólico de Corpus Christi em Sabará (MG) nesta quinta-feira (11), foi um retrato do momento vivido no país em meio à pandemia do novo coronavírus.

As celebrações da data, historicamente marcadas pela confecção de tapetes cada vez mais produzidos e procissões que reúnem milhares de fiéis em todo o país, neste ano foram realizadas por atos sem fiéis.

Em vez de eles se reunirem em missas e, em seguida, caminharem sobre os tapetes feitos durante a madrugada, foram substituídos por carreatas, que levaram o Santíssimo para percorrer ruas das cidades onde habitualmente a data é celebrada com procissões. As missas foram mantidas, mas com transmissão pela internet na maioria dos locais.

Ao contrário dos últimos anos, em que as pessoas eram convidadas a se reunirem ainda durante a noite da véspera em Sabará para a produção dos tapetes, em 2020 o único exemplar foi produzido apenas para manter a tradição local, que já tem mais de 200 anos.

A prefeitura e o conselho municipal de turismo o confeccionaram na praça Santa Rita nesta quinta com tinta, serragem e ornamentos, para marcar o dia.

"Vai passar. Tenha fé", diz mensagem junta a tapete simbólico de Corpus Christi em Sabará (MG) Crédito: Divulgação

Em Matão (a 306 km de São Paulo), a procissão que reúne anualmente 80 mil pessoas deixou de ser realizada pela primeira vez em 72 anos. A cidade contabiliza, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, 23 casos da Covid-19, com uma morte.

As madrugadas da quinta-feira, dia mais aguardado do ano no município paulista, são historicamente marcadas pela ação de cerca de mil voluntários nas ruas da região central para enfeitá-las com tapetes de pedrinhas coloridas para o Corpus Christi.

O ato percorre 12 quadras do centro, numa procissão em formato de cruz, e atrai turistas desde os anos 1960.

No início, os moldes eram feitos com bambus e os materiais usados para a produção dos tapetes eram borra de café, palha de arroz e flores naturais. Nos últimos anos, o material mais utilizado para a confecção é a dolomita, uma espécie de calcário tingido nas cores desejadas.

Dez toneladas do produto já tinham sido compradas para este ano quando a prefeitura decidiu pelo cancelamento para evitar aglomerações. Em média, são usadas 60 toneladas do material. O que foi comprado será guardado para a procissão de 2021.

"Por se tratar de uma festa que todos os anos reúne em média 80 mil fiéis do mundo todo, o gabinete de prevenção e monitoramento dos efeitos do coronavírus recomenda que seja evitada quaisquer tipos de aglomerações, com a finalidade de conter o contágio do vírus no município de Matão", diz trecho de comunicado da prefeitura sobre a decisão.

Sem a procissão, a comemoração do Corpus Christi ocorreu numa missa na Matriz do Senhor Bom Jesus, com padres e diáconos, sem fiéis, às 8h.

Na sequência, o Santíssimo deixou a igreja para percorrer o trajeto feito pela procissão de 2019, também sem fiéis.

SANTUÁRIO VAZIO

No Santuário Nacional de Aparecida, que reuniu 50 mil pessoas na celebração do ano passado, a data foi comemorada com transmissão pela internet, sem a presença de fiéis, cenário visto desde que o governo de São Paulo decretou quarentena, em março.

A missa na manhã desta quinta foi presidida pelo arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, que, devido ao isolamento social, orientou os fiéis a fazerem procissões em casa. “Coloque-se em oração, convide a Jesus, imagine Ele do seu lado e caminhe por todas as partes da sua casa. Faça uma procissão dentro da sua casa, mentalmente. A segunda procissão é interior, com a mesma imaginação convide a Jesus para caminhar com você e estar em seus pensamentos. Jesus nos meus ouvidos, Jesus nos meus olhos, nos meus braços, no meu coração, em todo meu ser e assim se torna uma hóstia viva”, disse.

Após a celebração, o arcebispo fez uma procissão com o Santíssimo no lado externo do santuário.

Em Campo Grande, após uma missa --esta com participação de público, com distanciamento entre as pessoas--, o Santíssimo foi colocado na carroceria de uma camionete e o padre percorreu ruas da área de jurisdição da paróquia São João Bosco para abençoar as pessoas em suas casas.

A Arquidiocese da capital sul-matogrossense vetou a confecção do tradicional tapete devido à pandemia, tradição que existe há 63 anos. Na paróquia, um tapete simbólico foi feito com desenhos produzidos em papel sulfite por crianças da catequese.

Também houve adaptações no ritual em Piracicaba, onde tapetes, em menor quantidade, foram confeccionados na paróquia Imaculada Conceição --sem procissão--, e em Jundiaí, que realiza várias missas na catedral Nossa Senhora do Desterro ao longo do dia e fez uma carreata de meia hora com o Santíssimo para marcar a data.

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