Surfistas e nadadores voltam ao mar do Rio de Janeiro em 1º dia de reabertura

Decreto que regula desconfinamento libera atividades físicas individuais nas águas e calçadões, mas não na areia

Rio de Janeiro

Nesta terça (2), com o decreto que deu início à primeira fase do plano de reabertura na cidade do Rio de Janeiro, foram liberadas as atividades físicas individuais nos calçadões das praias e no mar. As areias, porém, seguem proibidas.

Humberto Cesar Menescal Sampaio, de 69 anos, aproveitou para voltar a nadar após 70 dias sem ir à praia. Acostumado a percorrer 4 km a nado todos os dias ao raiar do sol, ele foi nesta terça costear o Forte de Copacabana, na zona sul.

"Acho que não há empecilho para a natação, inclusive faz bem. Era um mal-entendido proibir a pessoa de nadar, porque ninguém nada colado com o outro", diz o fotógrafo, que participa de competições desde 2014.

Ele foi nadar com a filha, Julia Penna Sampaio, de 31 anos. Eles dizem que havia poucas pessoas nas areias, mas muitas se exercitavam ou tomavam sol no calçadão.

Julia, que é designer e escreve o blog de viagens Fora da Toca, conta que foram até a água vestindo suas máscaras, de uso obrigatório na cidade, e que, ao se prepararem para nadar, deixaram os apetrechos na região protegida da boia de sinalização que utilizam.

Havia, segundo eles, policiais em duas motos aquáticas patrulhando a região.

A advogada Rita Albuquerque Zanforlin, de 40 anos, também voltou a nadar nesta terça. Ela foi à praia Vermelha, na Urca, à qual costumava ir de duas a três vezes na semana até o decreto de meados de março proibindo o acesso às praias.

“Foi incrível voltar, a sensação de estar no mar é muito boa”, diz ela, que também é professora de ioga e mediadora de conflitos. A praia Vermelha estava vazia antes das 6h, com apenas uma pessoa nadando.

Ali, Zanforlin encontrou uma amiga, mas, embora tenham nadado uma de olho na outra, não se abraçaram nem se aproximaram fora do mar. Ela conta que nadava acompanhada de um grupo, com professores na água e na areia e, como esse tipo de atividade continua proibida, não sabe se voltará sempre ao mar.

A praia Vermelha é mais tranquila e, assim, não atrai surfistas, que também não eram muitos em Copacabana no primeiro dia de liberação.

Na Barra da Tijuca, na zona oeste, porém, o "mar estava grandão". Kado Rothfelder começou a surfar às 7h, entre os postos 3 e 4.

O designer de 45 anos conta que houve um aumento dos surfistas nesta terça, chegando a reunir, em alguns pontos, de 30 a 40 pessoas. "Essa época do ano é muito boa para o mar, é o melhor vento", diz.

Rothfelder, que não deixou de surfar nos últimos meses, diz que nunca foi abordado por fiscais, mas que usa máscara no caminho até o mar, deixando-a na bicicleta. "Sou pai de família, tenho dois filhos, e surfar é meu único exercício físico", diz.

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