Ato do MTST contra despejos na pandemia termina com gás lacrimogêneo e bombas

Manifestação tentou chegar ao Palácio dos Bandeirantes nesta quinta (30), mas foi impedida pela PM

São Paulo

Uma manifestação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) nesta quinta (31) na capital paulista terminou com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo lançados pela polícia .

A marcha se concentrou por volta das 14h30 na estação São Paulo-Morumbi, da linha 4-amarela do Metrô, e seguiu até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado.

Próximo ao estádio do Morumbi, o ato foi impedido de continuar. Uma comissão foi enviada ao palácio para negociar por volta das 19h. Participaram da reunião o secretário de habitação do estado Flavio Amary, o secretário-executivo Fernando Marangoni e o presidente da CDHU Reinaldo Iapequino.

Uma reunião foi marcada para a próxima quarta-feira (5) para nova discussão sobre as reivindicações, segundo o movimento.

O movimento pressiona para que não sejam feitos novos despejos durante a pandemia do novo coronavírus.

Entidades, entre universidades e movimento social, denunciaram ao Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) a manutenção das ações de despejo durante a pandemia.

Em julho, após representação feita pelo MTST, o Ministério Público recomendou à Prefeitura de São Paulo que suspenda as remoções, que continuam acontecendo em todo o estado, segundo o movimento, durante o período de calamidade pública.

Os manifestantes também cobram do governo do estado recursos que haviam sido acordados para projetos do movimento e que ainda não foram aplicados.

“Temos um orçamento previsto de R$ 55 milhões que não foi liberado ainda, e temos urgência na construção dessas moradias”, diz Jussara Basso, coordenadora do MTST em São Paulo.

A marcha começou a avançar depois das 20h na avenida Giovanni Gronchi, mas foi contida por uma barreira da Polícia Militar, que lançou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Manifestantes que precisaram de atendimento foram socorridos no local.

O MTST estima que 5.000 pessoas participaram do ato, que chegou a fechar a avenida João Jorge Saad. A recomendação do movimento era de distanciamento entre as pessoas e uso de máscaras.

Em nota, o governo do estado "ressalta que já solicitou à Justiça que, durante a pandemia, suspenda todas as ações que busquem remover famílias de imóveis públicos ocupados". Além disso, afirma que "serão viabilizadas 60 mil moradias até o final de 2002".​

A Secretaria de Segurança Pública, por meio de nota, afirmou que "os policiais acompanharam o deslocamento do grupo do metrô até a praça Roberto Gomes Pedrosa, onde os manifestantes tentaram furar o bloqueio feito pela PM. Houve um princípio de tumulto, sendo necessário o uso de técnicas de controle de multidões para contê-lo".

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