Descrição de chapéu Obituário Áureo de Souza Costa (1952 - 2020)

Mortes: Caminhoneiro rodou o Brasil, mas em RO encontrou melhor lugar para criar a família

Áureo de Souza Costa priorizou educação e conforto dos filhos, mesmo fora de casa por vários dias.

Felipe Corona
Porto Velho

O caminhoneiro Áureo de Souza Costa via na estrada o seu segundo lar, mas sempre levava a família no coração. Nas paradas das viagens pelo Brasil, falava do orgulho que sentia dos filhos e da esposa.

Mesmo à distância, se fazia presente: procurou dar conforto à mulher Claudionora e suas crias (Daniela, Daiana e Danilo). Quando chegava em casa, chamava todo mundo, para expressar a emoção de conhecer as estradas como poucos. “Ele não era afetuoso por gestos, como beijos e abraços, além de ser rígido, irredutível e orgulhoso”, disse uma das filhas, Daiana Costa.

Nas férias escolares, muita diversão na boléia: viagens de caminhão entre Porto Velho e São Paulo com o trio de crianças. As brincadeiras aconteciam nos pátios de postos de combustíveis. Às vezes, uma bronca ali e outra acolá pelas artes dos pequenos.

Em 1989, aos 37 anos, veio a decisão de deixar São Paulo e viver no novo Eldorado do país: Rondônia. A família ficou com medo, mas viu que a decisão foi importante para o crescimento de todos.

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Áureo de Souza Costa, 68, gostava das estradas e amava a família. - Arquivo pessoal

Os finais de semana tinham a presença de parentes e amigos. Sempre havia presentes após cada viagem para os filhos e a esposa. O tempo, na maioria das vezes, era curto: apenas um final de semana em casa. Almoço em restaurante e na madrugada já voltava às rodovias.

Com os filhos adultos, o caminhoneiro adorava dar dicas de como se comportarem na estrada. A maior cobrança era os estudos. Busca incansável para que fizessem faculdade. Namoro? Só depois que conseguissem o diploma.

Com o diagnóstico da diabetes e a perda de parte da visão, aos 58 anos, a aposentadoria foi antecipada. A convivência se tornou difícil: pela doença e por ser forçado a ficar em casa. Mesmo com algumas limitações, todos o consideravam guerreiro e trabalhador.

Como avô, era doce e carinhoso. Adorava abraçar e beijar os netos. Segundo as filhas, o melhor vovô do mundo.

Depois de idas e vindas a UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) durante 20 dias, Áureo de Souza Costa morreu aos 68 anos, dia 03 de junho (aniversário da filha do meio - Daiana), por complicações da Covid-19. Viúvo, deixou três filhos e três netos.

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