Descrição de chapéu Obituário Ranulfo de Mello Freire (1924 - 2020)

Mortes: De valores humanos, foi um grande juiz brasileiro

Ranulfo de Mello Freire exercia a autoridade com simplicidade e gentileza

São Paulo

A autoridade profissional nunca foi maior do que os valores humanitários do desembargador aposentado Ranulfo de Mello Freire, conhecido também pelo jeito simples, pela educação, pela generosidade e gentileza.

Foi um dos grandes juízes do país e guru de uma geração inteira de acadêmicos, estudantes, juízes e magistrados.

“Ele sempre queria saber o outro lado. Geralmente escutava o que um juiz comum ignoraria. Sua vida profissional recebia influência da vida humana”, diz Sérgio Salomão Shecaira, professor titular de direito na USP e conselheiro do IBCCrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), órgão de que Ranulfo foi membro fundador, mas deixou o qual deixou por divergências políticas.

Ranulfo de Mello Freire (1924-2020)
Ranulfo de Mello Freire (1924-2020) - Arquivo pessoal

Ranulfo era mineiro, de Altinópolis. Entrou para a magistratura em 1955. Foi presidente do antigo Tribunal de Alçada Criminal no biênio em 1982 e 1983.

Aposentou-se como desembargador em 1983. Depois, reinscreveu-se na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e integrou a Comissão de Direitos Humanos em São Paulo. É lembrado pela visão humanista do Direito Penal.

“Ele era a antítese do juiz. Normalmente os juízes são mais formais, colocam certa distância e, ainda que não queiram, essa distância vem naturalmente. Ele era a pessoa mais antitética que você poderia imaginar. Extremamente informal, adorava conversar com as pessoas, às vezes tomando uma cervejinha ou uma cachacinha”, conta Schecaira.

No cotidiano, nunca aparecia ou se apresentava como juiz. “Em meados de 1996, ele me chamou para dar uma palestra em Passos, no sul de Minas. Não me deixou ficar em hotel e me hospedou em sua casa. Conversamos sobre coisas de Minas e da casa. Seu jeito de agir era diferente. O Ranulfo tinha um olhar curioso para o novo e estava sempre aberto para uma conversa. Cada palavra que pronunciava era um aprendizado”, afirma.

Ranulfo de Mello Freire morreu dia 30 de julho, aos 96 anos. A causa da morte não foi informada.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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