Descrição de chapéu Obituário Inês Büschel (1947 - 2020)

Mortes: Fez da educação em direitos dos vulneráveis sua missão

Inês Büschel preocupava-se com a questão da violência contra as mulheres e com as desigualdades de gênero

São Paulo

A corintiana Inês do Amaral Büschel ingressou jovem no Ministério Público de São Paulo imbuída do sonho de melhorar as vidas das pessoas.

Sua alma socialista sempre a levou a lutar pelas causas dos mais humildes e vulneráveis socialmente.

Nascida em 1947 na cidade de São Paulo em família de ascendência alemã, foi uma das fundadoras, em 1991, do Movimento do Ministério Público Democrático no Brasil, que presidiu com galhardia e pouquíssimos recursos financeiros.

Inês Büschel (1947-2020)
Inês Büschel (1947-2020) - Arquivo pessoal

A inspiração era o movimento associativista democrático europeu, iniciado na década de 1960 pela Magistratura Democrática da Itália, e depois disseminado pela Europa com a pretensão de difundir a cultura dos direitos humanos.

Nas reuniões do MPD, confabulava sobre a transformação do mundo com seus companheiros de jornada —Visconti, Maria Izabel, Anna Trotta, Livianu, Airton Florentino, Papaterra, Marrey, Paulo Garrido, Liliana Buff, Petreluzzi, Valderez, Tilé e Salinas.

Admirava o educador Paulo Freire (1921-97) e apoiava o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

Preocupava-se muito com a questão da violência contra as mulheres e com as desigualdades de gênero, além da educação em direitos, da qual fez sua missão.

Foi professora na Unip e proferiu inúmeras palestras em projetos sociais como o Promotoras Legais Populares, Arrastão e outros mais.

Criada com os irmãos Fátima, Júlio, Oscar e Raul, Inês Büschel era simples nos hábitos e despojada. Amante das artes e da cultura, fundou o Espaço Tertúlia para promovê-las.

Criou o Blog da Inês, onde escrevia regularmente, e fazia cordéis no intuito de simplificar a linguagem jurídica. Era esta sua bandeira de vida, a de educar as pessoas mais pobres. Enxergava essas publicações como instrumento de emancipação política em direção à cidadania plena.

Na terça-feira (21), após 14 anos driblando um câncer, aos 73, Inês morreu em São Paulo. Deixa a filha, a jornalista Beatriz Pasqualino, e os netos Violeta e Milton, para quem foi excelente mãe e avó.

Deixa ainda lembranças de uma amiga querida, bondosa e altruísta e lições de uma mulher culta, inteligente, sábia, carismática e cativante, que estimulava todos à sua volta.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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