Descrição de chapéu Obituário Maria Najélia Leite de Oliveira (1951 - 2020)

Mortes: Quebrou paradigmas e deixou um legado de alegrias

Maria Najélia Leite de Oliveira ajudou a criar grupos de ajuda a pacientes com câncer

São Paulo

No cemitério Parque da Paz, em Fortaleza, o forró “Tareco e Mariola”, na versão do sanfoneiro Flávio José, foi puxado em coro na quarta-feira, dia 5. Era um dos preferidos de Maria Najélia, que deixara o plano funerário pago e instruções de que o enterro ecoasse sua alegria inabalável.

Nascida em Pacajus, a pouco mais de 50 km de Fortaleza, ganhou o apelido de Rosa Mimosa da avó paterna.

Na infância, era “muito magra, teimosa e inventadeira”, conforme registrou em memórias para os netos.

Maria Najélia Leite de Oliveira (1951-2020)
Maria Najélia Leite de Oliveira (1951-2020) - Arquivo pessoal

Gostava de tomar banho no rio Areré, cozinhar em panelinhas de barro para as bonecas de pano e cuidar das barracas das quermesses.

Na adolescência, como era tradição na família, foi enviada à capital cearense para continuar os estudos.

Casou-se aos 19 e teve a primeira filha, Niedja, aos 20. Divorciou-se quando isso era novidade no Brasil.

Encontrou um novo amor na equipe masculina de futebol universitária, da qual se tornou treinadora após muita insistência para cursar a disciplina esportiva então exclusiva para homens na Universidade Federal do Ceará.

Ficou casada com o atacante por 45 anos e, com ele, teve dois filhos, Lígia e e este repórter.

Também se formou em Odontologia, mas foi implantando creches públicas pelo estado com a Fundação do Bem-Estar do Menor que se realizou profissionalmente. Quando a entidade foi extinta, passou a trabalhar em abrigos de idosos. Em sua clínica, manteve um plano odontológico a preços populares até se aposentar.

Nos últimos cinco anos, enquanto tratava um câncer iniciado nos ovários, ajudou a criar os grupos Cabeça Feita, que borda toucas para crianças com a mesma doença, e Dê Uma Canja, que alimenta quem vem do interior fazer quimio e radioterapia na capital.

Quando a saúde deixava, fugia para a praia da Peroba, em Icapuí (CE), onde armava a rede na varanda e bordava ao som do mar. No dia 4, aos 69, Najélia morreu. Além do marido e dos três filhos, deixa três netos e uma infinidade de memórias alegres.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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