Suspeito teria aproveitado saídas da família para abusar de criança, diz polícia

Companheiro da tia da criança já tinha sido preso em 2010 sob acusações de associação ao tráfico de drogas e posse ilegal de arma

Vitória

Suspeito de estuprar e engravidar uma menina de dez anos no Espírito Santo, o homem preso nesta terça-feira (18) trabalhava como ambulante em uma praia no município de São Mateus (ES) com a família dela e apresentava desculpas para ir para casa para poder ficar sozinho com a criança e cometer os abusos, segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, com base em relatos de familiares da criança. A informação também foi confirmada pela Folha com outra fonte ligada ao caso.

“A mãe [da criança] é falecida, com histórico de ser andarilha. O pai está preso. Ela é criada pela avó e pelo avô, que são humildes, ambulantes, trabalham vendendo coco”, afimou o secretário. "Cometido esse crime, é um monstro que não merece viver no seio da sociedade."

Depois de ser preso em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, o suspeito de 33 anos afirmou à polícia que tinha contato sexual com a criança desde o ano passado. A menina relatou em depoimento que era abusada por ele há cerca de quatro anos. O superintendente de Polícia Regional Norte, delegado Ícaro Ruginski, afirma que não há consentimento legal para qualquer tipo de relacionamento considerando a idade da criança.

Polícia homem suspeito de estuprar e engravidar menina de dez anos no Espírito Santo - Rodrigo Gavini/Folhapress

O suspeito, que era companheiro de uma tia dela, ainda acusou outros familiares de abusarem da menina. A hipótese será investigada pela Polícia Civil do Espírito Santo, mas o delegado responsável pelo caso, Leonardo Malacarne, diz acreditar que o suspeito seja o único autor dos abusos. Ele foi indiciado na quinta-feira por estupro de vulnerável e ameaça.

As buscas por ele foram feitas na Bahia e nas cidades mineiras de Nanuque e Betim, onde foi encontrado na casa de familiares após ser monitorado por policiais. O secretário de segurança disse ainda que houve negociação entre o suspeito e a polícia, mas que o homem decidiu se entregar porque começou a temer pela própria vida.

No Espírito Santo, onde ainda será ouvido formalmente, ele será encaminhado à Penitenciária Estadual de Vila Velha 5, no complexo de Xuri, em Vila Velha, uma unidade destinada a autores de crimes sexuais, de acordo com o governo do estado.

Ainda segundo informações divulgadas na entrevista coletiva à imprensa, o homem foi preso em 2010 sob acusação de associação ao tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo. Em 2014, ele conseguiu o benefício de saída temporária, mas não retornou ao presídio. Em 2015, foi recapturado. Desde 2018 está em liberdade por meio de um alvará de soltura.

A menina procurou atendimento médico no dia 7 de agosto, dizendo estar com dores abdominais. A unidade de saúde então constatou a gravidez. Na última sexta (14), ela foi levada ao Hucam (Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes), onde foi constatada gestação de 22 semanas e quatro dias. No mesmo dia, uma decisão judicial autorizou a realização do aborto, mas o hospital alegou não ter condições técnicas de realizar o procedimento.

No domingo, a menina foi levada a Recife, onde conseguiu realizar o aborto no Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros). Ela e a avó tiveram de entrar no local escondidas em um porta-malas devido a protestos de grupos conservadores, contrários ao aborto. Grupos feministas, como o Fórum de Mulheres de Pernambuco, também estiveram no local para apoiar a criança.

Apesar do processo correr em sigilo por envolver uma criança e da lei brasileira prever o direito a aborto legal em casos de estupro, dados pessoais como o nome da criança e o endereço do hospital no Recife foram divulgados por conservadores nas redes sociais, como a extremista bolsonarista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter.

O vazamento das informações está sendo apurado internamente no hospital de Vitória, segundo a superintendência da unidade, e por instituições de Justiça como o Ministério Público Federal no Espírito Santo.

"A exposição foi outra violência que ela sofreu. Como vai voltar pra mesma casa? A mesma escola? Vai ficar marcada por causa da quebra do sigilo. Talvez tenha que mudar de estado, de nome. É preciso passar uma borracha nisso para que ela possa ser feliz", disse à Folha o médico Olimpio Moraes, responsável pelo procedimento.

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