Após feriado, Santos e Guarujá vivem aumento de casos de Covid

Média semanal de novos casos subiu em Santos pela primeira vez em cinco semanas

Santos

Santos e Guarujá, dois dos principais destinos de turistas no litoral sul de São Paulo, registraram um novo aumento de casos e mortes confirmadas pela Covid-19 após o último feriado da Independência, em 7 de setembro.

A alta tem como base análises de levantamento dos números epidemiológicos realizados pelos próprios municípios e acende um alerta na região.

Assim como em diversas regiões país, as praias de todo o litoral registraram superlotação, aglomerações e diversas pessoas sem máscara facial, de uso obrigatório.

“A população confundiu flexibilização com banalização. Ainda vivemos uma fase crítica da pandemia, nada mudou. Vimos que as pessoas perderam o medo. Estar descampado, na praia, não significa menor chance de transmissão”, diz o médico Alexandre Naime Barbosa, chefe da infectologia da Unesp.

Em Santos, a média semanal de novos casos subiu pela primeira vez depois de cinco semanas consecutivas em queda. De 17 a 11 de setembro foram 351 registros, uma média diária de 50 casos, número superior ao das três últimas semanas: 217, 341 e 343 novos casos.

O número de óbitos na cidade também dobrou para 25 registros na semana, ou 3,5 por dia, em média, o maior índice desde a semana de 7 a 13 de agosto, com 31 mortes. Na semana do feriado, de 4 a 10 de setembro, a média era de 1,7.

“Agora, vamos observar a tendência. Se vai manter ou se teremos uma queda. Se continuar, acende um grande sinal amarelo de preocupação. Houve um abuso nos feriados, uma invasão as praias que funcionou como um fator de combustão”, disse Evaldo Stanislau, médico infectologista do Hospital das Clínicas da USP, morador de Santos.

O secretário de saúde do município, Fabio Ferraz, acredita que ainda será necessário mais tempo para entender se, de fato, há uma nova curva preocupante de aumento de casos.

"Ainda não conseguimos afirmar se tem relação [com o fim de semana de praias lotadas] ou qualquer outra análise. Seria uma precipitação, mas também não quer dizer que não estamos preocupados com o que houve", explicou.

Ferraz diz que, até o momento, ainda não há um aumento de internações, principalmente em UTIs. De acordo ele, o número estabilizou nas últimas semanas, entre 70 e 80 internações.

Outro fator levantado é de que a cidade iniciou a partir desta sexta-feira (18) uma nova leva de testagem gratuita da doença, inicialmente voltada para funcionários da saúde.

Ao todo, serão 16 mil testes, cerca de 50 por dia, em parceria com o Instituto Butantã o que levará, segundo o secretário, a um provável aumento de casos.

"Estimamos cerca de 500 testes por semana e imaginamos que cerca de 10% destes possam gerar incidências diárias, então é algo que consideramos", explica Ferraz.​

Guarujá também passa por problema semelhante. De 17 a 11 de setembro foram 207 novos casos, média de 29,5 por dia, e um novo impulso após baixas nas duas semanas anteriores, de 10 a 4 de setembro, com média de 10,8, e de 3 de setembro a 28 de agosto, média de 3,7 casos registados.

O município informou que os números de casos confirmados, óbitos e de internação hospitalar por Covid estão dentro do mesmo parâmetro há semanas e ainda mantêm uma constante. A oscilação da média móvel de casos está dentro de um parâmetro considerado controlável.

Na nota, Guarujá ainda afirmou fazer fiscalização rotineira, com o apoio da polícia militar, mas que esbarra em dificuldades ocasionadas por questões comportamentais e aglomerações.

Pouco antes do feriado, prefeitos do litoral pediram ao governador João Doria (PSDB) por reforço de policiamento, além da campanhas de conscientização, para conter um novo aumento acelerado de contágio na região.

Mesmo antes da semana do feriado, as fotografias de pessoas se aglomerando nas praias paulistas assustou autoridades de saúde de São Paulo. Foram vistas aglomerações ao longo de toda a orla, com grupos sentados na faixa de areia sem máscaras, fato que também ocorreu no litoral norte.

Doria fez críticas duras aos registros de aglomerações e responsabilizou os prefeitos das cidades por controlar a fiscalização.

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