Damares contesta reportagem da Folha e diz ter buscado fortalecer rede de proteção a menina que abortou

Reportagem publicada nesta segunda (21) relata como ministra agiu para impedir aborto de criança de 10 anos

São Paulo

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, usou mais uma vez as redes sociais para contestar a reportagem "Ministra Damares Alves agiu para impedir aborto de criança de 10 anos", publicada nesta-segunda-feira (21) na Folha.

Ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos)
Ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) - Pedro Ladeira - 02.set.2020/Folhapress

"Novamente a Folha de SP publica mentiras sobre a minha atuação e o trabalho de nossos técnicos. Entraremos imediatamente com pedido de resposta. Mais uma vez faremos o departamento jurídico do jornal trabalhar", escreveu Damares em seu Twitter.

"Deixamos claro que o tempo inteiro nossa atuação ocorreu para fortalecer a rede de proteção à criança em São Mateus. Oferecemos melhorar o Conselho Tutelar e até curso foi ministrado com esse objetivo. Não vamos deixar de trabalhar na defesa das crianças e adolescentes da cidade", completou.

A ministra também ameaçou processar pessoas que a questionaram no Twitter a respeito do ocorrido, sugerindo sua renúncia.

A reportagem relata as ações da ministra e de enviados do ministério para impedir que a menina capixaba de dez anos que engravidou após estupro fosse submetida ao aborto. A criança se enquadra nos dois casos em que o Código Penal permite a interrupção da gravidez: estupro e riscode morte para a gestante.

A operação coordenada por Damares tinha como objetivo transferir a criança de São Mateus (ES), onde vivia, para um hospital em Jacareí (SP), onde aguardaria a evolução da gestação e teria o bebê, apesar do risco para a vida da menina.

Para tanto, Damares enviou à cidade capixaba representantes do ministério e aliados políticos que tentaram retardar o procedimento e, em uma série de reuniões, pressionaram os responsáveis por conduzi-lo, inclusive oferecendo benfeitorias ao conselho tutelar local.

A ministra chegou a participar de pelo menos uma dessas reuniões por meio de videochamada, como mostraram fotos obtidas pela Folha.

A reportagem inclui as declarações do ministério, que foi procurado para responder aos questionamentos decorrentes.

Na resposta, a assessoria da pasta afirma que os emissários foram eviados para “acompanhar a atuação da rede de proteção à criança vítima e oferecer suporte do MMFDH e da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), no sentido de fortalecimento da rede de apoio às crianças vítimas de violência”.

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