Descrição de chapéu Coronavírus

Em seis meses de pandemia, crimes patrimoniais acumulam queda de até 41% em SP

Por outro lado, homicídios dolosos acumulam aumento de 8%; para governo, aumento de assassinatos está ligado a brigas de casais

São Paulo

De março a agosto, meses de quarentena devida ao coronavírus, o estado de São Paulo registrou queda em praticamente todos os crimes patrimoniais e acumula reduções de até 41%, caso dos roubos de veículos, na comparação com o mesmo período de 2019.

Por outro lado, os homicídios dolosos —aqueles intencionais— continuam subindo, e completam a quinta alta nesses seis meses.

Os novos indicadores de criminalidade foram divulgados nesta sexta (25) pela gestão João Doria (PSDB) e trazem os números de agosto passado, que são comparados com o mesmo período de 2019.

A maior queda no estado para o mês também ocorreu com roubos de veículos, 39,5%. Em números absolutos, eles foram 3.554 registros, em agosto de 2019, para os 2.149 de agora.

No acumulado desses seis meses de quarentena, entre março e agosto de 2019, a polícia paulista havia anotado 23.393 crimes contra os 13.894 atuais —40,6% no total. Entre maio e junho, as reduções desse tipo de crime superaram os 50%.

Policiamento em praça na zona oeste da cidade de São Paulo durante a quarentena
Policiamento em praça na zona oeste da cidade de São Paulo durante a quarentena - Mathilde Missioneiro - 1.mai.20/Folhapress

Outros crimes que tiveram queda representativa em tempos de pandemia foram os furtos, tanto os de veículos quanto os furtos em geral (que incluem celulares). No caso destes, a redução nesses meses chegou a 37,5%: eles caíram de 269.552 registros para os 168.388 crimes ocorridos durante os seis meses de distanciamento social.

Em agosto, a queda foi de 32,6%: eles foram de 42.936 furtos, em 2019, para os 28.933, de 2020.

Quanto aos furtos de veículos, a redução acumulada nesses seis meses é 36,1%: foram 46.609 veículos furtados entre março e agosto de 2019, contra os 29.779 de agora. Em agosto, a redução se manteve nessa média, com 35%, caindo de 7.904 para 5.098.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, a maioria da redução envolve os chamados crimes de oportunidades. Com menos pessoas circulando, também diminuem os ataques aos transeuntes, quando são levados carteiras e celulares, a maior parte dos crimes. Já os crimes mais violentos, ainda segundo o governo, continuaram.

Isso ajuda a explicar por que os latrocínios cresceram em agosto 40%, subindo de 10 para 14 casos, na comparação entre agosto de 2019 e agosto de 2020. No acumulado desses meses, houve uma pequena redução de 3,6%, indo de 84 crimes para 81.

Latrocínios são roubos seguidos de morte e, pelas explicações da polícia, resultam de roubos que não deram certo.

Como houve uma redação de 22% nos roubos em geral nesse período de pandemia, em tese, os latrocínios deveriam ter queda semelhante. Mas não foi o que aconteceu.

Outro crime violento que não caiu em momento algum da quarentena foram os homicídios dolosos.

Em cinco dos seis meses, houve aumento na comparação com o ano passado. Em um deles, o número foi exatamente igual ao ano anterior. Assim, no acumulado de março a agosto deste ano, comparando com 2019, o aumento é de 8% —eles subiram de 1.365 para 1.475.

Comparando os meses de agosto, o crescimento foi de 7,1%. Foram 210 vítimas nesse período do ano passado, contra as 225 contabilizadas pela polícia neste ano.

De acordo com o governo paulista, esse aumento pode ser explicado pelas brigas entre casais, principalmente aquelas ocorridas no interior do estado. Só nesse tipo de situação, segundo a gestão Doria, os casos pularam de 7 para 14, no mês de agosto.

Outro tipo de crime que preocupava o governo antes da pandemia eram os estupros. Em agosto, eles tiveram uma redução de 9,3%. Caíram de 1.051 denúncias registradas pela polícia em 2019 para 953 neste ano. No acumulado de seis meses, a queda chega a 14,5%: elas passaram de 5.844 para 4.994 entre março e agosto, em relação mesmo período de 2019.

Para especialistas, porém, essa queda não é necessariamente lida como uma boa notícia. Com as escolas fechadas, por exemplo, muitas vítimas de abusos não conseguem acesso ao mundo externo a fim de comunicarem o crime para outras pessoas —e, assim, há subnotificação.

Ainda de acordo com Secretaria da Segurança Pública, a tendência é que o estado registre novas quedas nos crimes patrimoniais em setembro. Os estudos feitos até agora, segundo o governo, têm indicado que não deve haver uma explosão de casos com uma maior flexibilização do comércio e movimento das pessoas pelas ruas.

Conforme a Folha mostrou, a redução da atividade criminal também provocou uma redução na população carcerária de São Paulo que, com 216 mil presos, atingiu a menor quantidade em sete anos.

Desde maio do ano passado, o sistema teve uma redução de quase 18 mil presos. São hoje 216 mil pessoas nas 176 unidades do estado, ante 234 mil encarceradas em maio de 2019, segundo dados da gestão João Doria (PSDB) obtidos pela Folha.

Um dos motivos apontados é a retração da criminalidade, levando a menos prisões. Entre janeiro a julho deste ano, a quantidade de pessoas presas caiu 25,2%. Foram 95 mil homens e mulheres presos nesses meses, 32 mil prisões a menos que as 127 mil efetuadas no mesmo período de 2019.

Em abril e maio, quando a quarentena era mais intensa, as quedas foram maiores. Em maio, por exemplo, a retração de pessoas presas chegou a 38,5%. Em 2019, no mesmo mês, a polícia prendeu 19.305 pessoas, ante 11.878 neste ano.

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