Descrição de chapéu Obituário Hélio Dias dos Santos (1947 - 2020)

Mortes: Ao redor do feijão-tropeiro, reunia amigos e família

Apesar da pouca instrução, Hélio Dias dos Santos fazia questão de que os filhos estudassem

São Paulo

Baiano de Vitória da Conquista, Hélio Dias dos Santos morou no Rio, chegou a trabalhar em Recife, mas fez de São Paulo seu lar. E ainda se apropriou do mineiro feijão-tropeiro para chamar de “sua especialidade” —o que fez os filhos acharem que o prato era baiano por anos.

O prato era feito em vários domingos, deixando o dia com cara de festa. E era oferecido para todos os amigos da rua em um bairro da zona leste, onde a casa ficava com a porta aberta.

Hélio Dias dos Santos (1947-2020)
Hélio Dias dos Santos (1947-2020) - Arquivo pessoal

Assim podiam chegar a turma do bar, os vizinhos, o time de futsal dos filhos ou os amigos próximos da filha. Todos eram bem-vindos para comer o feijão do seu Hélio, e todos eram tratados com a mesma gentileza.

Esse jeito de receber e tratar amigos como família foi uma de suas características mais marcantes.
Sem ter o ginásio completo, trabalhou sempre com serviços braçais, mas nunca reclamou.

Aliás, só falava mal do ofício ao se colocar como “exemplo errado” aos filhos. “Não querem ficar como eu? Então tem que estudar.” Essa era sua única exigência.

Adorava contar histórias. E tinha várias delas. Em uma, reza a lenda familiar que, sem muitos recursos após o nascimento do segundo filho, jogava bilhar a dinheiro nos seus queridos pés-sujos para completar o orçamento das fraldas. E normalmente era bem-sucedido.

Em outra, no início dos anos 1980, no Rio, teria sido confundido com o suposto justiceiro Mão Branca, terror da Baixada Fluminense, quando tentava subir o morro para visitar um amigo. Após momentos de tensão, a história acabou em um bar, com amigos e cerveja.

Até o fim foi o patriarca turrão, divertido e prestativo. Sua força “de touro” só não foi capaz de superar o câncer no pâncreas, que abreviou sua vida aos 72 anos.

Deixa a mulher, chamada carinhosamente de Baixinha, a sogra (que chamava de segunda mãe), três filhos (todos formados), sete netas (todas meninas) e muitos amigos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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