Descrição de chapéu Coronavírus Rio de Janeiro

Ocupação de UTIs chega a 80% no Rio, e especialistas alertam para risco de lotação

É preciso planejamento para atender eventual pressão na demanda, defende pesquisadora da Fiocruz

Rio de Janeiro

A taxa de ocupação dos leitos de UTI para pacientes da Covid-19 voltou a atingir níveis críticos na cidade do Rio de Janeiro nas últimas semanas. O percentual de leitos ocupados nas três redes –estadual, municipal e federal– chegou a 86% há 10 dias e na segunda-feira (28) estava em 79%.

Dados da secretaria estadual de Saúde indicam que a taxa de ocupação da rede estadual em todo o Rio de Janeiro está em 48%, ou seja, sob controle. Assim, a gravidade da situação parece, ao menos no momento, se restringir à capital.

A secretaria municipal de Saúde afirma que o fechamento de leitos das redes estadual e privada na capital explica o aumento do percentual de ocupação. A pasta também diz que a rede municipal está realizando a maioria dos atendimentos dos pacientes infectados pelo novo coronavírus. Ambas as secretarias insistem que não há fila de espera para internação.

Em meio ao afastamento do governador Wilson Witzel (PSC) e a denúncias de desvio de recursos para o combate à pandemia, o Rio não tem mais hospitais de campanha da rede estadual em funcionamento.

Nesta segunda (28), a Fiocruz publicou novo boletim que alerta para a redução de leitos no Amazonas, no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro. A análise abarca o período de 6 a 19 de setembro.

A pesquisadora da Fiocruz Margareth Portela afirma à Folha que o aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI na capital indica que a administração pública precisa estar cautelosa e prestando atenção aos sinais, para que a população não volte a enfrentar uma superlotação no atendimento.

Nos últimos dois meses tem se observado no estado do Rio uma flutuação na média móvel de novos casos e novos óbitos pela Covid-19. Na última semana, as mortes têm seguido tendência de aumento.

Não é possível garantir, no entanto, que a alta se sustentará –ou que o Rio mergulhará novamente no cenário crítico enfrentado no pico da pandemia.

Mas Margareth lembra que funcionários que trabalham na ponta nos serviços de saúde têm narrado um aumento na procura por atendimento. Assim, ela defende que o governo precisa estar preparado para uma eventual pressão na demanda.

“Qual o plano de contingência para um eventual aumento? Esse aumento pode se dar de forma muito rápida. É natural expandir e retrair oferta de leitos de UTI, mas estamos preparados para reativar essa máquina? Para contratar pessoas, botar os leitos para funcionar?”, questiona.

A pesquisadora também afirma que a flexibilização das medidas de distanciamento social pode alimentar a demanda por atendimento. “O vírus ainda está circulante. Com aglomerações, podemos ter rapidamente aumentos. A gente está vendo isso acontecer na Europa. Apesar de reconhecer que passou a fase de pico, estabilizamos ainda num patamar alto.”

Cinemas e teatros foram autorizados a reabrir no Rio desde o dia 14 de setembro, como parte da fase 6 da flexibilização. Embora a permanência nas praias ainda esteja proibida, há meses o carioca decidiu voltar a lotar as areias.

Enquanto isso, as redes municipal e estadual de saúde dizem que pretendem aumentar a oferta de leitos para suprir eventual crescimento da demanda. A prefeitura de Marcelo Crivella (Republicanos), aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirma que busca abrir mais 95 leitos de UTI com financiamento do Ministério da Saúde.

Já o estado diz que negocia parceria com os municípios para a abertura de mais 140 leitos intensivos. A secretaria estadual de Saúde também afirma que é possível contratar leitos junto à iniciativa privada em caso de necessidade.

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