Durante pandemia, rio Tietê tem aumento de trechos com água boa

Covid-19, porém, impediu aferição total da poluição; porção historicamente ruim não foi avaliada

São Paulo

Além de diminuir a poluição atmosférica, a pandemia também trouxe uma melhora nas águas do rio Tietê, que atravessa a cidade de São Paulo. Os trechos consideradas com qualidade de água boa chegaram a 94 km, resultado que não era visto havia décadas.

Em 2020, foi medida uma mancha de poluição de extensão total de 150 km de águas impróprias para uso. Porém, com a Covid-19, a análise não foi feita integralmente, e a dimensão poluída do rio pode chegar a 194 km.

A análise da mancha de poluição do Tietê é anualmente, desde 2010, divulgada pela Fundação SOS Mata Atlântica. O projeto, publicado nesta terça (22), Dia do Tietê, recebe patrocínio da Ypê e apoio da Sompo Seguros.

Neste ano, a pandemia da Covid-19 impediu uma parte do trabalho de coleta, que ocorreu mensalmente, de setembro de 2019 a agosto de 2020, em 83 pontos de 47 rios em 38 municípios.

Os dados deste ano excluem assim coletas de 44 km de extensão em uma das regiões historicamente com elevado nível de poluição no rio e pouca variação, no trecho entre a cidade de São Paulo (mais especificamente da ponte da rodovia Anhanguera) e Barueri.

Assim, se esse trecho não medido apresentar qualidade da água ruim, o total da mancha de poluição subiria para 194 km, aumento de 19% em relação a 2019 e o maior valor desde 2013.

A análise mostra porém que, ainda que a mancha fosse ampliada com os eventuais 44 km de água péssima, na média a qualidade da água foi melhor. As medições realizadas indicaram menos poluentes nas amostras coletadas.

Isso mesmo considerando que alguns pontos foram afetados por enchentes isoladas, que levaram poluição a esses trechos, afetando o resultado final.

Os 150 km de poluição registrada representam 26% dos 576 km de rio —que nasce em Salesópolis e vai até Barra Bonita— periodicamente verificados pela ONG.

Segundo a SOS Mata Atlântica, foi identificada uma mudança no padrão da mancha de poluição neste ano. Antes contínua, dessa vez a região em que a água era ruim e imprópria para uso e vida aquática ficou dividida em dois trechos.

A análise também observou uma ampliação da mancha no trecho do Médio Tietê, segundo o relatório, por causa de "transferência de lodo e de poluentes após operações de barragens do Sistema Alto Tietê para controle de cheias".

As áreas do Médio Tietê apresentavam, há cerca de uma década, condições regulares, como os pontos de coleta em Jumirim e Laranjal Paulista.

Mesmo assim, o relatório do SOS Mata Atlântica aponta que “os indicadores obtidos nesse período apontam leve tendência de recuperação e também estabilidade em vários pontos monitorados ao longo do ciclo de coletas”.

A análise mostra que, além dos 94 km de rio com qualidade de água boa, outros 288 km tinham qualidade regular, permitindo usos múltiplos e vida aquática em 382 km (66% do trecho monitorado).

Além disso, não foi identificado nenhum ponto com qualidade de água péssima. O porém, mais uma vez, é a área que não foi analisada, que costumam apresentar a pior qualidade de água da classificação.

A pandemia também impediu a coleta, por parte dos voluntários do projeto Observando os Rios, de amostras entre março e agosto. As coletas essenciais foram, então, feitas pela própria SOS Mata Atlântica após a flexibilização da quarentena em São Paulo, seguindo protocolos de segurança necessários.

Os pontos de coleta no rio são fixos e georreferenciados, o que permite a comparação com anos anteriores.

Para definição da qualidade da água, com os dados mensais de cada ponto em mãos, é feita uma média dos indicadores considerados.

São eles: temperatura da água e do ambiente, turbidez, espumas, lixo flutuante, odor, material sedimentável, peixes, larvas e vermes vermelhos, larvas e vermes brancos, coliformes totais, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial hidrogeniônico (pH), fosfato e nitrato.

O estudo sobre a situação do rio Tietê é acompanhado, neste ano, por um manifesto direcionado aos candidatos a prefeituras que aponta a necessidade de implementação de planos municipais da mata atlântica.

Entre as necessidades apontadas pelo manifesto estão o desmatamento zero, ampliação das áreas de mata atlântica —ajudando assim a preservação de nascentes e mananciais—, valorização de parques e reservas, proteção e recuperação de rios, e implantação de planos municipais de saneamento.

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