Polícia de SP abastece ministros do STF com informações sobre André do Rap

Relatório tem dados sobre suposto esquema de tráfico internacional e rede de lavagem de dinheiro quem envolve 22 pessoas; plenário analisa soltura nesta quarta

São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) informações detalhadas sobre André Oliveira Macedo, o André do Rap, inclusive sobre a suposta ligação dele com a máfia italiana, para ajudar os ministros da Suprema Corte a decidirem sobre o futuro do traficante do PCC solto por ordem do ministro Marco Aurélio Mello.

A discussão acontece na tarde desta quarta-feira (14) no plenário do STF após o presidente da Casa, Luiz Fux, suspender a liminar concedida por Marco Aurélio, que levou a soltura do traficante no último sábado (10). A ordem de Fux mostrou-se sem efeito prático, porque o traficante já tinha fugido quando a decisão foi conhecida, mas provocou um debate sobre a artigo do Código Processo Penal.

O relatório de inteligência da polícia paulista, ao qual a Folha teve acesso, foi produzido pela equipe do delegado Fábio Pinheiro Lopes, policial que liderou a operação que levou a prisão de Macedo em 2019 em Angra dos Reis, no Rio. O mesmo delegado participa das equipes da Polícia Civil de São Paulo que tentam prendê-lo novamente.

André Oliveira Macedo, o André do Rap, solto sábado, é considerado foragido da polícia desde o último sábado - Divulgação

Os ministros terão em mãos uma relação de processos no qual André do Rap é alvo e, também, informações de ele seria o principal elo entre duas organizações criminosas, a brasileira PCC, e, também, a máfia calabresa autodenominada como Ndrangheta, “no que tange o envio de grandes quantidades de cocaína para a Europa.”

Os policiais ilustram o relatório com 11 fotos de bens adquiridos pelo traficante, como helicópteros, barcos e duas casas de luxo em Agra dos Reis, no Rio, e, também, demonstram uma rede de ligações criminosas com 22 pessoas físicas e jurídicas que participavam de um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

O documento afirma que o volume de dinheiro movimentado pelo criminoso ainda está sendo contabilizado, mas, tratam de milhões de reais. Só em um helicóptero e uma barco André do Rap pagou, segundo as investigações, mais de R$ 12 milhões. Segundo a Folha apurou, as movimentações geraram relatórios de mais de 600 páginas.

Conforme a Folha revelou na última sexta (9), a informação da chegada do alvará de soltura de André do Rap na semana provocou um misto incredulidade e revolta entre policiais paulistas que consideraram um desrespeito ao trabalho policial. O próprio governador João Doria (PSDB) criticou publicamente a decisão do ministro do supremo.

A reportagem mostrou também nesta terça (13) que André do Rap dizia para colegas de cela, antes de qualquer manifestação do STF, que não ficaria por muito tempo atrás das grades. “Não passo o Natal aqui dentro”, disse ele, segundo relato de integrantes da cúpula da segurança pública paulista, sobre relatório de inteligência.

Em conversas monitoradas pelos serviços de inteligência do governo paulista os presos discutiam a necessidade de agilizar o ingresso de pedidos de soltura porque o ministro, cujo nome não mencionaram, se aposentaria em meados de 2021. Em 12 de julho do próximo ano, Marco Aurélio completará 75 anos e precisará aposentar.

Entre os diálogos mais importantes está um que envolve o traficante Valter Lima Nascimento, o Guinho, preso em setembro de 2019. Condenado a 20 anos de prisão, ele é suspeito de também integrar um grande esquema internacional de tráfico de drogas do PCC, liderado por Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, preso em abril deste ano em Moçambique.

Nas conversas monitoradas pelo governo paulista no início do ano, o criminoso indicava a necessidade do pagamento de R$ 3 milhões para impetrar com um habeas corpus no STF. Os outros criminosos do PCC nessa conversa aconselharam Guinho a pagar, porque, segundo eles, valeria a pena.

Não há detalhes de quem seria o destinatário desse pagamento ou se ele cobriria honorários de advogados.

Os advogado de André do Rap nega que ele tenha ligação como o narcotráfico e com a máfia italiana.

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