Amapá tem protestos de moradores e rodízio de energia de seis horas

Justiça deu três dias para empresa solucionar falta de energia no Amapá; apagão ocorreu na terça (3)

Rio de Janeiro

O apagão que ocorreu no Amapá na terça-feira (3) e ainda não foi completamente solucionado tem motivado protestos de moradores. Pneus foram queimados e vias foram interrompidas com galhos e pedaços de madeira. De acordo com a Polícia Militar, os atos ocorreram principalmente na capital, Macapá.

Ainda conforme informações da PM, desde terça já foram registrados cerca de 40 protestos. Desde sábado (7) até a noite deste domingo (8), foram pelo menos 18 manifestações. Não há informações sobre prisões.

Crise de energia no Amapá, apagão em Macapá. protestos no bairro de Santa Rita em 07 de novembro de 2020(Foto: Rudja Santos/Amazônia Real)
Crise de energia provoca protestos no bairro de Santa Rita, em Macapá, no fim de semana - Rudja Santos/Amazônia Real

No sábado, quinto dia de apagão no Amapá, relatos apontam que alguns bairros de Macapá começaram a registrar um retorno gradual da energia. A situação, porém, não se reflete em toda a cidade. Segundo moradores ouvidos pela Folha, alguns locais continuavam sem luz pela manhã, e havia insegurança sobre a duração do retorno da energia.

Em nota, o governo do Amapá informou que os municípios afetados pelo apagão já estão com 70% do sistema de abastecimento restabelecido.

Neste domingo, algumas cidades do estado iniciaram um rodízio de fornecimento de energia elétrica. O sistema funcionará com duração de pelo menos seis horas em cada região.

O esquema foi feito pela CEA (Companhia de Eletricidade do Amapá). O rodízio teve início às 6h deste domingo em Macapá, Santana, Tartarugalzinho, Amapá, Calçoene, Ferreira Gomes, Porto Grande e Serra do Navio.

O estado ficou sem energia elétrica após incêndio em subestação de distribuição de energia elétrica. A queda do fornecimento de energia atingiu a capital, Macapá, e outros 13 dos 16 municípios do estado, onde vivem 782 mil pessoas —cerca de 90% da população estadual. Apenas Oiapoque, no extremo norte, e Laranjal do Jari, no extremo sul, não sofreram com a falta de eletricidade.

De acordo com a CEA, a medida foi tomada a partir da recomposição do transformador da Subestação Isolux, que possibilitou a conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN), e do aumento de carga da Usina de Coaracy Nunes, que garantiu a segurança energética para a distribuição.

Segundo o diretor-presidente da CEA, Marcos Pereira, a partir do funcionamento do transformador foi possível atender 60% da população do estado.

Ainda de acordo com Pereira, os locais que ainda não têm o serviço estão sendo inspecionados. Segundo ele, essas ocorrências são decorrentes de problemas isolados em trechos específicos da rede.

A CEA informou ainda que rodízio ocorrerá até a garantia de oferta de 100% de energia, com a conclusão da implantação dos geradores da Subestação Isolux. Os detalhes do rodízio estão no site governo do Amapá: https://www.portal.ap.gov.br/noticia/0711/cea-inicia-rodizio-no-fornecimento-de-energia-no-amapa.

O rodízio não ocorrerá nas unidades que prestam serviços essenciais como hospitais, unidades de pronto atendimento, bancos e empresas de telecomunicações. Nesses locais, segundo a CEA, há fornecimento de energia 24 horas.

A Justiça Federal do Amapá deu prazo de três dias para que a empresa Isolux solucione o problema da falta de energia elétrica no estado, sob pena de multa de R$ 15 milhões para o caso de descumprimento. A decisão foi proferida pelo juiz federal plantonista João Bosco Costa Soares da Silva.

Ele determinou ainda a criação de um grupo de trabalho composto pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, um representante da Eletrobrás, um da Eletronorte, um da Isolux e outro da Companhia de Eletricidade do Amapá.

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