Descrição de chapéu Obituário João Carlos da Silva Pereira (1959 - 2020)

Mortes: Especialista no Círio de Nazaré, viveu para informar

João Carlos Pereira era um dos maiores pesquisadores do assunto no país

São Paulo

No Colégio Moderno, onde estudou até o final do ensino médio, João Carlos Pereira já sabia que seria um homem de humanas.

A vocação se confirmou mais tarde, quando ele ingressou no curso de letras na Universidade Federal do Pará.

Nascido em Belém, filho de uma paraense com um pernambucano, cresceu cercado pela irmã, pelos primos e por amigos. Com jeito simpático e educado, tornou-se um colecionador de boas amizades até o fim da vida.

João Carlos da Silva Pereira (1959-2020)
João Carlos da Silva Pereira (1959-2020) - Arquivo pessoal

João Carlos viveu para escrever, informar e ensinar. Trabalhou no jornal O Liberal por mais de 30 anos.

Versátil e talentoso, produzia textos sobre assuntos variados, de esporte a obituários, mas era especialista mesmo em história, religião e, principalmente, no Círio de Nazaré.

Participou das transmissões da TV Liberal do maior evento religioso do país por mais de 20 anos​ e, segundo a filha Mariana Pereira, 30, se programava para publicar dois livros sobre o Círio e Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira dos paraenses. A família preparará o lançamento das obras.

Como professor, lecionou na Universidade da Amazônia e nas universidades estadual e federal do Pará. Também deu aulas de redação a estudantes.

Membro e vice-presidente da Academia Paraense de Letras, publicou livros de crônicas, ficção e de literatura infantojuvenil, entre outros.

João Carlos apreciava vinhos, filmes de terror e de ação e a obra “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Monteiro Lobato. Sonhava viver entre Belém, Portugal e França —com uma predileção por Paris.

Após o início da pandemia de Covid-19, João Carlos escreveu crônicas que enviava a uma lista de contatos no WhatsApp. Inicialmente, escreveu uma por dia. A partir da centésima, diminuiu o ritmo da produção.

Seu último texto, intitulado “Senhor”, foi escrito quando já estava internado na UTI. A última parte foi redigida à mão e entregue a Mariana, que a encaminhou ao jornal O Liberal.

João Carlos da Silva Pereira morreu no dia 10 de novembro, aos 61 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Deixa a esposa, quatro filhas e uma neta.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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