Descrição de chapéu Obituário Luiz Carlos Gertel (1946 - 2020)

Mortes: Gênio das palavras, usou a crônica para fotografar São Paulo

Luiz Carlos Gertel trabalhou mais de 40 anos ao lado de José Paulo de Andrade na Rádio Bandeirantes

São Paulo

Pouco mais de três meses após a morte do radialista José Paulo de Andrade, foi a vez de Luiz Carlos Gertel, seu companheiro no dial por mais de 40 anos.

Em 1978, Gertel trocou a Folha da Tarde pela Rádio Bandeirantes AM e deixou a emissora em abril de 2015.

Entre as reportagens e os boletins sobre trânsito, estradas e transporte público, tornou-se um cronista da cidade. Marcou época em programas como “O Pulo do Gato”, “Primeira Hora” e “Jornal Gente”.

Ele saboreava as palavras para retratar o cotidiano de São Paulo. Gertel foi um mestre, que ensinou o bom jornalismo a várias gerações.

Luiz Carlos Gertel (1947-2020)
Luiz Carlos Gertel (1947-2020) - Arquivo pessoal

Nascido em São Paulo, era filho de Noé Gertel, jornalista, militante político e um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil, e da tecelã e militante comunista Raquel Gertel.

Nos momentos de descanso do microfone, não havia lugar melhor do que a sua casa. Gertel era avesso a festas e badalações.

“Ele tinha um humor maravilhoso e uma ironia elegante. Suas mensagens no WhatsApp aos amigos eram divertidas. O Gertel era um homem simples, humilde, gentil e generoso”, diz a esposa, a jornalista Vera Lucia Fiordoliva Gertel, 70.

Eles se conheceram na Rádio Bandeirantes. Eram amigos do coração e se admiravam. A paixão surgiu após o primeiro convite para um chope. Eles ficaram 35 anos casados.

Apesar de pacato, Gertel gostava do colorido. Seu bom gosto o fazia transitar da Bossa Nova até Beatles. “Sabiá”, de Tom Jobim, era uma das canções preferidas.

Uma queda foi o aviso de que a partida estava próxima. Foram 15 dias internados na UTI até o estado de saúde debilitar gradativamente.

Luiz Carlos Gertel morreu aos 74 anos, no dia 2 de novembro. Deixa a esposa Vera, o filho João Marcelo, a enteada Maria Rita, a nora Gabriela e o neto Francisco​; e os também filhos, os cães Joca e Maricota e um coelho —​Gertel era apaixonado por animais.

“Os meses da quarentena foram os melhores da nossa vida. A gente se amou mais, conversou mais. Acho que foi uma preparação. Eu me sinto muito abençoada”, diz Vera.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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