Polícia prende 54 em operação para desarticular rede de exploração sexual infantil

Investigação teve início com suspeito de tentar vender a sobrinha para criminosos russos

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São Paulo

Uma força-tarefa da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo prendeu ao menos 54 pessoas em flagrante com material de exploração sexual de crianças e adolescentes. A Operação Black Dolphin, deflagrada na manhá desta quarta-feira (25), cumpriu 222 mandados de busca e apreensão.

Mais de 1.100 agentes estiveram envolvidos na operação, que fez buscas em 85 cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Segundo Silas José dos Santos, delegado Seccional de São José do Rio Preto (SP), onde o inquérito foi instaurado, além dos 54 presos desta quarta é possivel que a polícia peça novos mandados de prisão nos próximos dias depois de analisar os computadores e materiais apreendidos na casa de outros suspeitos.

A investigação teve início em 2018, quando a Polícia Civil de São Paulo prendeu um homem que pretendia vender a sobrinha para criminosos russos. Ele planejava levar a menina à Disney e alegar que ela teria desaparecido no parque.

Material apreendido em operação contra tráfico e exploração infantil
Material apreendido em operação contra tráfico e exploração infantil - Polícia Civil de SP

A partir desse caso a polícia iniciou investigação de uma organização criminosa, que atua na deep web, que produz, vende e compartilha imagens de abuso sexual infantil.

Os agentes fizeram infiltrações em mais de 20 comunidades da deep web e encontraram mais de 10 mil contas de emails atuando nas ações criminosas.

Em 2019, a polícia localizou o usuário que consideram ser o provável chefe da organização criminosa. Nas conversas interceptadas, ele dizia que estavam “protegidos pelo anonimato” e que as “leis brasileiras são ridículas”. O criminoso disse ainda que não havia prisão no Brasil para segurá-los.

O usuário dizia ainda que só poderiam ser detidos na Black Dolphin, prisão russa na fronteira com o Cazaquistão.

Neste ano, o homem que usava esse nome de usuário na internet foi identificado pela polícia. Ele foi preso nesta quarta em São José do Rio Preto.

"Uma das nossas preocupações era agilizar a operação já que identificamos que esse homem tem dois filhos, de 5 e 9 anos. Não sabemos se ele abusou ou usou os próprios filhos, mas tínhamos a preocupação de protegê-los", disse o delegado.

O homem foi preso por compartilhamento e armazenamento de material, crime para o qual não há previsão de pagamento de fiança. Segundo as investigações, ele seria um dos mandantes da organização no Brasil. Com ele, foram encontrados mais de 200 mil arquivos de exploração sexual infantil.

"Há diversas mensagens em que ele cobra e exige que os outros usuários postem e enviem mais material para ser usado nessas comunidades de pedofilia", disse Santos.

Segundo o delegado, a operação desta quarta foi mais demorada porque conseguiu identificar criminosos que usavam estratégia mais elaborada, com o compartilhamento das imagens de abuso sexual na deep web. A operação Luz da Infância, deflagrada pela primeira vez em outubro de 2017, localizou quem usava a internet comum.

O Ministério da Justiça mantém o Laborartório de Inteligência e Operações Cibernéticas para coletar dados na deep web que possam ajudar a identificar autores, armazenadores e consumidores de conteúdo pornográfico infantil. Segundo os responsáveis, uma das maiores dificuldades é a ausência de um perfil dos criminosos.

Quem é pego armazenando conteúdo pode responder pelo crime em liberdade e a pena vai de um a quatro anos de prisão. A condenação fica mais dura para quem compartilha: além de ser crime inafiançável, a pessoa pode pegar de três a seis anos de prisão. Se o criminoso comercializa o conteúdo, o tempo de reclusão sobe para quatro a oito anos.

Identificar o predador, ou seja, quem produz esse tipo de conteúdo, é uma das partes fundamentais do trabalho, porque encontrá-lo significa localizar e resgatar crianças e adolescentes em situações de exploração sexual.

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