Promotoria identifica domínio do PCC em imóveis de Cohab e CDHU em várias cidades de SP

Cerca de 20 imóveis pertenciam à facção em ao menos 5 cidades, Integrantes do setor que gerenciava imóveis foram presos nesta quarta (18)

São Paulo

Promotores de São Paulo especializados no combate ao crime organizado identificaram uma célula da facção PCC responsável pelo gerenciamento de dezenas de imóveis do CDHU e Cohab, companhias habitacionais do estado e da capital paulista, dominados pelos criminosos.

Cinco pessoas ligadas a essa célula, batizada pelos criminosos de “Setor CDHU” ou “Setor dos APs”, foram presas na manhã desta quarta-feira (18) em uma operação da Promotoria e da Polícia Militar paulista, entre elas uma advogada responsável pelo gerenciamento dos recursos desse setor.

De acordo com integrantes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), integrantes do PCC tomavam posse de apartamentos dessas companhias e os repassavam para pessoas ligadas à facção, entre egressos do sistema prisional ou familiares de presos faccionados.

O chefe máximo do PCC, Marco Camacho, durante deslocamento para presídio federal em Brasília - Sergio LIMA/AFP

Cerca de 20 imóveis já foram identificados pelos promotores como dominados pelo crime em “diversas cidades” como capital, Guarulhos, Diadema, Jundiaí e Jacareí. Esse número deve aumentar agora com as apreensões feitas na manhã desta quarta, já que os policiais encontraram farto material sobre o assunto.

Em janeiro deste ano, reportagem da Folha revelou que integrantes da uma lista em poder do governo paulista com mais de uma centena de endereços na capital e Grande São Paulo, entre conjuntos habitacionais, prédios e terrenos, espaços públicos e privados em que há indícios do domínio do crime organizado. Em parte dos casos, havia exploração financeira, semelhante sistema das milícias do Rio.

Os promotores disseram à Folha que, nesse caso específico investigado agora, não havia exploração dos moradores. Pelo contrário. As eventuais despesas do imóvel, como de prestações mensais e condomínio, eram assumidas pela facção, ficando para o morador apenas as contas de água e luz.

Para o Ministério Público, com essas medidas, a cúpula da facção tem como finalidade perpetuar o vínculo entre ela e seus os integrantes. “Sob um discurso falso de assistencialismo, o “Setor CDHU” tem como propósito não assegurar o bem-estar de pessoas menos favorecidas, mas garantir a permanência da estrutura criminosa da base do PCC”, diz nota da Promotoria.

Ainda segundo a investigação do Gaeco, entre os presos na operação desta quarta tinha a função de buscar novas unidades e, quando localizadas, faziam operação para ocupa-los o mais rápido possível. Para isso, em muitos casos, ainda segundo a Promotoria, contavam com a ajuda de síndicos desses condomínios.

Em muitos casos, após a invasão do imóvel, eram colocadas famílias com crianças para dificultar a retomada do apartamento pelo estado.

O Ministério Público ainda estuda com as companhias habitacionais o que fazer com as famílias que ocupam os imóveis atualmente.

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