Covid e fim de auxílio desafiam novos prefeitos

País tem nova alta de casos; municípios planejam como estruturar escolas públicas para retorno de aulas presenciais

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São Paulo

Prefeitos eleitos tomam posse nesta sexta-feira (1º) em um novo momento da pandemia da Covid-19 no país.

Enquanto o Brasil registra nova alta de mortes e internações em razão do novo coronavírus, boa parte das capitais planeja como estruturar escolas públicas para o retorno das aulas presenciais, ainda que de forma parcial.

Em meio às dificuldades sanitárias, os prefeitos terão de lidar com os efeitos do fim do auxílio emergencial pago pelo governo federal.

Alguns estudam criar benefícios locais, mas enfrentam dificuldades financeiras para encontrar caixa para projetos.

Alguns dos eleitos também já se posicionaram na disputa política em relação à vacinação para imunizar a população contra o novo coronavírus.

A Covid-19 afetou campanhas e a posse de alguns mandatários que foram contaminados, como Maguito Vilela (MDB) que vai tomar posse internado numa UTI.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) comemora a vitória nas eleições da cidade de São Paulo junto de seus eleitores
O prefeito Bruno Covas (PSDB) comemora a vitória nas eleições da cidade de São Paulo junto de seus eleitores - Adriano Vizoni - 29.nov.2020/Folhapress

São Paulo

Bruno Covas (PSDB), 40, toma posse tendo pela frente um cenário de aumento de casos de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, impulsionado pelas celebrações de fim de ano.

Com um discurso de moderação e experiência, Covas se reelegeu após vencer Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno e tirar de cena o candidato de Jair Bolsonaro (sem partido), Celso Russomanno (Republicanos), ainda no primeiro turno.

Agora, o tucano é parte importante do projeto de João Doria (PSDB), como um palanque da candidatura à Presidência da República em 2022. Ao mesmo tempo, ganha força para fazer sombra ao governador como grande nome dentro do PSDB.

No final de seu primeiro mandato, Bruno Covas acabou no alvo de críticas por ter sancionado o aumento de 46% em seu próprio salário em plena crise econômica pouco tempo depois de acabar com a gratuidade para idosos entre 60 e 64 anos que utilizam o sistema de transporte público.

Entre os assuntos urgentes que o prefeito deve tratar daqui por diante está a implementação da volta às aulas da rede municipal de ensino em meio à segunda onda da pandemia. Elas estão previstas para fevereiro, com expectativa de revezamento entre os alunos e outras medidas preventivas ainda sob estudo.

Rio de Janeiro

Eduardo Paes (DEM), assume o Palácio da Cidade pela terceira vez com perspectivas distintas das duas gestões à frente do município.

Enquanto seus dois mandatos anteriores, entre 2009 e 2016, foram marcados por obras, Paes terá quatro anos sem recursos para grandes investimentos. Sua principal plataforma é melhorar os serviços públicos, principalmente da saúde, em meio à pandemia.

Ele tem defendido a ampliação de leitos desativados para o atendimento. Em entrevistas, transparece não defender a restrição à circulação de pessoas para evitar a transmissão do coronavírus. Argumenta ser ineficaz impor regras que não serão cumpridas.

Paes disse querer manter uma boa relação com o presidente Jair Bolsonaro, com quem se reuniu em dezembro. Também firmou acordo com o governador João Doria (PSDB) para obter doses da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

O prefeito formou um secretariado que mescla antigos aliados com jovens vinculados a movimentos sociais. A medida faz parte da promessa de fazer uma gestão antirracista.

Paes assume a prefeitura numa situação jurídica mais delicada desde a prisão de vários políticos do Rio, entre eles o ex-aliado Sérgio Cabral. O prefeito eleito responde a três ações penais, duas por corrupção.

Prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM)
Prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) - Carl de Souza - 20.nov.2020/AFP

Aracaju

O prefeito reeleito Edvaldo Nogueira (PDT), 59, assume o cargo após prometer um pacote de obras de R$ 1 bilhão para ampliar a oferta de empregos na cidade durante a pandemia. É a terceira vez que ele administra a capital de Sergipe.

Belém

Eleito pela terceira vez para comandar a prefeitura, Edmilson Rodrigues assume como o único nome do PSOL a comandar uma capital. Sua equipe prepara um plano para busca ativa de contaminados pelo novo coronavírus a fim de evitar agravamento da doença.

Belo Horizonte

Reeleito, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) toma posse discutindo a retomada das aulas presenciais na cidade. É cotado para disputar o governo do estado em 2022 em razão de sua vitória com 69% dos votos válidos no primeiro turno.

Boa Vista

Atual vice-prefeito, Arthur Henrique (MDB) toma posse na capital de Roraima após perder sua companheira de chapa Edileuza Loz, morta pela Covid-19. Ele assume prometendo manter o trabalho da antecessora, Teresa Surita (MDB).

Campo Grande

Marquinhos Trad (MDB) toma posse para um segundo mandato com a cidade em toque de recolher para conter a Covid-19 determinado pelo estado entre 22h e 5h. Ele já havia determinado a medida no início de dezembro na capital.

Cuiabá

Emanuel Pinheiro (MDB) foi reeleito mesmo tendo virado réu sob acusação de receber mensalinho quando era deputado estadual. Ele nega. O prefeito decidiu cancelar a cerimônia de posse em razão da alta de casos de Covid-19 na cidade.

Curitiba

Rafael Greca (DEM) prepara seu terceiro mandato com acordo assinado com o governo de São Paulo para aquisição da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan. Curitiba prepara a retomada das aulas na rede municipal com um modelo híbrido.

Florianópolis

Gean Loureiro (DEM) foi reeleito no primeiro turno após ter enfrentado acusação de estupro de uma ex-assessora. Ele disse que as relações foram consentidas. Internado por uma semana com Covid-19 em outubro, ele planeja o verão em meio à pandemia.

Fortaleza

O prefeito eleito Sarto Nogueira (PDT) assume planejando o retorno das aulas na rede municipal, num modelo híbrido. Ele toma posse respondendo a ação do Ministério Público que pede cassação de seu registro de candidatura por captação ilícita de sufrágio.

Goiânia

O ex-governador Maguito Vilela (MDB), 71, poderá tomar posse como prefeito de Goiânia na UTI (unidade de terapia intensiva) do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está internado há dois meses em razão de complicações decorrentes da Covid-19.

Maguito Vilela, prefeito eleito em Goiânia
Maguito Vilela, prefeito eleito em Goiânia - Maguito Vilela no facebook

João Pessoa

Empresário da construção, Cícero Lucena (PP) assume a capital paraibana pela terceira vez. Ele retorna após ser preso em operação da Polícia Federal, suspeito de irregularidades em contrato feito entre a prefeitura e a Embratur. Foi inocentado em 2019.

Macapá

Dr. Furlan (Cidadania) assume a capital do Amapá com só dez dias para a transição. A cidade sofreu com a crise energética em novembro, que adiou a eleição e afetou a candidatura de Josiel Alcolumbre (DEM), irmão do presidente do Senado.

Maceió

João Henrique Caldas (PSB) assume a prefeitura da capital alagoana após vencer o grupo político do senador Renan Calheiros (MDB) na disputa em novembro. Deputado federal e advogado, JHC é filho do ex-deputado João Caldas.

Manaus

David Almeida, 51, assume o cargo planejando reabrir um hospital de campanha. Ele também pretende reeditar decretos municipais para impedir a circulação de pessoas para frear o novo aumento de casos de Covid-19 na capital do Amazonas.

Natal

Álvaro Dias (PSDB) vai para o segundo mandato na capital potiguar após uma reeleição tranquila, na qual venceu com 56,6% dos votos válidos. Defende a manutenção do comércio aberto, desde que respeitadas regras sanitárias.

Palmas

Única mulher a vencer numa capital, Cinthia Ribeiro (PSDB) inicia seu segundo mandato com as escolas da rede municipal fechadas. Fonoaudióloga, ela autorizou a reabertura de colégios particulares e cinemas a partir de fevereiro de 2021.

Porto Alegre

Eleito com um programa econômico liberal, Sebastião Melo (MDB) tem se posicionado contra o fechamento de comércio em razão da pandemia. Deputado estadual, foi vice-prefeito da cidade na gestão José Fortunati (2013-2016).

Porto Velho

Reeleito, Hildon Chaves (PSDB) é advogado e foi promotor em Rondônia. Em 2013, deixou o Ministério Público, segundo ele, para se dedicar às suas empresas de educação. Anunciou interesse em comprar a vacina do Instituto Butantan.

Recife

Mais jovem prefeito das capitais, João Campos (PSB), 27, é filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 2014. Na transição, anunciou planejamento para a imunização contra o novo coronavírus.

Rio Branco

Um dos poucos eleitos com o apoio declarado do presidente Jair Bolsonaro, Tião Bocalom (PP) ficou em quarentena em parte da campanha por ter sido contaminado pelo novo coronavírus. Ele prometeu reabrir as escolas no início de seu mandato.

Salvador

Vice-prefeito de ACM Neto, Bruno Reis consolida um ciclo de gestões do DEM em Salvador que deve chegar a 12 anos. Assume planejando a retomada das aulas na rede municipal. Promete prorrogar o auxílio emergencial pago pela prefeitura a ambulantes.

São Luís

Opositor do governador Flávio Dino (PC do B), o prefeito eleito Eduardo Braide (Podemos) assume pela primeira vez a capital maranhense. O deputado federal afirmou após eleito ter como prioridade a retomada das aulas após o fechamento das escolas.

Teresina

José Pessoa Leal (MDB), conhecido como Dr. Pessoa, assume após uma tentativa frustrada. Ele é médico, ex-vereador e atualmente deputado estadual. Filho de agricultores e alfabetizado aos 15 anos, foi professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Vitória

O delegado Lorenzo Pasolini toma posse após ser eleito com plataformas similares às do presidente Jair Bolsonaro, embora na campanha tenha afirmado rejeitar extremos. Ficou conhecido por ter atuado para evitar o aborto de uma menina estuprada pelo tio.

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