Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Falta de água no Rio já dura 20 dias e deve persistir até 20 de dezembro

Problemas em bombas da Cedae fazem a região metropolitana passar por desabastecimento ou rodízio

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Rio de Janeiro

Se no início do ano o carioca via uma água turva e com gosto de terra sair das torneiras, no fim do ano sofre com a falta dela. Em meio à pandemia do novo coronavírus, grande parte dos moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro está convivendo com o desabastecimento ou o rodízio de água.

O problema começou há quase 20 dias, depois que bombas da Cedae (Companhia de Águas e Esgotos do Estado) que abasteciam vários bairros da capital e o município de Nilópolis quebraram. As privações devem durar até 20 de dezembro, prazo que a empresa estatal deu para fazer os reparos.

A falha aconteceu na Elevatória do Lameirão, que fica na zona oeste do Rio e é classificada pela companhia como "a maior elevatória subterrânea de água tratada do mundo". O que ela faz é pegar metade da água tratada na estação Guandu e bombeá-la para a superfície, para que seja distribuída para a população.

Moradores pegam água em bica em Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro - Gabriel de Paiva - 1º.dez.2020/Agência O Globo

Isso acontece por meio de túneis escavados na rocha de 117 metros de altura, o equivalente a um prédio de 44 andares. Para fazer a água subir, existem cinco bombas grandes e mais duas pequenas. O sistema opera em sua capacidade máxima com quatro bombas grandes (ou três grandes e duas pequenas).

Uma dessas bombas grandes foi retirada para o conserto em abril e deveria ter sido entregue em setembro, mas isso não ocorreu porque, com a pandemia de Covid-19, faltou o cobre necessário para repará-la. Até aí tudo estava bem, já que ainda havia uma bomba reserva.

Mas vieram mais dois imprevistos: em meados de outubro uma segunda bomba grande quebrou, e em 14 de novembro foi a vez da terceira. Com esse último acontecimento, a elevatória passou a funcionar com apenas 75% da sua capacidade (duas bombas grandes e duas pequenas).

Cerca de duas semanas depois, a Cedae passou a colocar em ação um plano de rodízio para evitar que faltasse água por muito tempo em determinados lugares. Após pressão da Defensoria Pública e do Ministério Público, a companhia tem informado diariamente em seu site quais são os locais com mais chance de sofrer desabastecimento em cada dia.

O mapa desta sexta (4), por exemplo, abrange quase todos os bairros da zona oeste da capital, uma parte da zona norte e os municípios de Nilópolis, Mesquita e São João de Meriti. Na quarta (2) e nesta quinta (3), ele chegou a incluir bairros da zona sul como Botafogo e Ipanema. A chance é maior para imóveis localizados mais no alto.

"Estamos acompanhando a situação para ver se o rodízio está surtindo o efeito esperado", diz Thiago Henrique Basílio, subcoordenador do núcleo de defesa do consumidor da Defensoria Pública. "Percebemos que há áreas que não estão no plano de manobra e continuam sem água desde o dia 15. Nesta quinta-feira notificamos a Cedae, que tem 24 horas para responder."

Em comunicados em seu site, a Cedae afirma que lamenta os transtornos causados à população e que, para reduzir os impactos, tomou medidas como as manobras no sistema, a disponibilização de carros-pipa com atendimento prioritário para hospitais e outros serviços essenciais e a criação de um gabinete de crise.

Galpão com máquinas amarelas e funcionários
A Elevatória do Lameirão, da Cedae, é responsável por bombear água para vários bairros do Rio de Janeiro e para Nilópolis - Divulgação/Cedae

O diretor da empresa, Edes Fernandes de Oliveira, falou nesta quarta ao programa Bom Dia RJ, da TV Globo, que quem se sentir lesado vai poder pedir ressarciamento da conta e de gastos com carro-pipa, por exemplo, mas não detalhou como isso será feito. Segundo ele, para quem tem medidor de consumo o cálculo será automático.

De acordo com o defensor Basílio, porém, isso até hoje não foi efetivado na "crise da geosmina" do início do ano. Uma liminar da Justiça chegou a conceder 50% de desconto retroativo na conta de água do período, mas a decisão foi suspensa em segunda instância, e o processo ainda corre.

Na ocasião, grande parte da população da região metropolitana do Rio ficou mais de um mês recebendo água turva e com cheiro e gosto ruins. Na época a companhia divulgou que a causa era a geosmina, uma substância orgânica produzida quando há multiplicação acentuada de bactérias na água.

Em junho, porém, análises de pesquisadores do Laboratório de Microbiologia da UFRJ (Universidade Federal do RJ) mostraram que o elemento encontrado tinha estrutura parecida, mas não era geosmina. A pesquisa achou uma forte presença de esgoto doméstico e também poluição industrial.

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