Descrição de chapéu Obituário Ivanir José Yazbeck (1941 - 2020)

Mortes: Deu à notícia o olhar atento e ao ser humano a generosidade

Jornalista, Ivanir Yazbeck assinou a biografia do ex-presidente Itamar Franco

São Paulo

O jornalista, escritor e roteirista Ivanir Yazbeck era um grande apaixonado por Juiz de Fora, cidade mineira onde nasceu e que gostava de ver em destaque no cenário nacional. O local serviu de pano de fundo para parte de seus dez livros lançados ao longo da vida.

Foi ele quem assinou “O real Itamar: uma biografia” (2011), que retrata a vida de Itamar Franco (morto em 2011). O ex-presidente sucedeu Fernando Collor de Mello, afastado por um processo de impeachment em dezembro de 1992.

Ivanir inspirou a psicóloga e jornalista Tatiana Yazbeck, 44, sua sobrinha, na decisão de cursar a segunda faculdade, de jornalismo. A ela foi entregue a missão de deixar vivos os seus feitos e a carreira na comunicação.

Ivanir José Yazbeck (1941-2020)
Ivanir José Yazbeck (1941-2020) - Arquivo pessoal

“Entre a penúltima e a última internação, meu tio me ligou e perguntou se estava com o currículo dele. Eu respondi que sim. Ele me disse que ficaria tranquilo porque não sabia o que falariam dele quando morresse”, relata Tatiana.

A trajetória de Ivanir tem algumas idas e vindas entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Nas duas cidades passou por diversos veículos de imprensa e trabalhou como repórter, redator, diagramador e crítico de cinema.

O início da carreira foi no semanário Binômio, em 1961, ao lado do amigo Fernando Gabeira. Dois anos depois, morou em Belo Horizonte para trabalhar no Correio de Minas e na Revista Alterosa. Lá, Gabeira o incentivou a aprender a diagramar.

Em 1964, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou pelos jornais do Brasil, O Globo, Extra e O Dia —neste último fez parte da reformulação gráfica.

Quando voltou a Juiz de Fora, em 1970, por cinco meses, Ivanir realizou o sonho de ter o próprio veículo, o Jornal Sete.

De volta ao Rio, entrou para a equipe do jornal Domingo Ilustrado, onde conheceu Tim Lopes, que era contínuo na época.

Convidado para auxiliar na fundação do Tribuna de Minas, em 1981 ficou entre Juiz de Fora e o Rio de Janeiro, para conciliar a atividade com o emprego no Jornal do Brasil, até 1983.

Por dois anos, afastou-se das redações para se dedicar ao programa Caso Verdade, na TV Globo, para o qual escreveu seis mininovelas.

Ivanir espalhou conhecimento por onde passou, sempre pautado pela humildade, doçura e generosidade. “Ele nunca se mostrou superior com quem estava em início de carreira”, diz Tatiana.

Ivanir Yazbeck morreu dia 13 de dezembro, aos 79 anos, em decorrência de um AVC. Separado, deixa a filha Lígia, a neta Alice e sete sobrinhos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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