Descrição de chapéu Obituário Paulo Sergio Russo (1958 - 2020)

Mortes: Médico apaixonado, sonhava com tratamentos

Paulo Sergio Russo especializou-se em cardiologia e terapia intensiva

Rodrigo Russo
São Paulo

Paulo Sergio Russo foi, acima de tudo, um apaixonado pela medicina. Até mesmo seu sono era entremeado por prescrições de medicamentos e condutas, especialmente quando atuava em unidades de terapia intensiva.

Sua série favorita, sem dúvida, foi "​House". Adorava o humor do protagonista e a forma como seus diagnósticos fugiam do convencional.

Suas conversas favoritas eram relacionadas a casos desafiadores e ao progresso da tecnologia na área médica.

Paulo Sergio Russo (1958-2020)
Paulo Sergio Russo (1958-2020) - Arquivo pessoal

Seus livros favoritos foram os romances históricos sobre medicina de Noah Gordon, como “O Físico” e “Xamã”.

Formou-se em medicina em 1982, depois especializando-se em cardiologia e em terapia intensiva. Devido aos muitos cabelos brancos precoces, era conhecido na turma como “Velho”.

Como médico, era pragmático, mas tinha também um lado metafísico. Adorava visitar uma paciente que fazia previsões e consultas espirituais entremeadas de palavrões.

Flertou com diversas religiões e filosofias de vida, como o corintianismo, o espiritismo e a logosofia. Aos dois filhos do casamento com Lucia transmitiu apenas o corintianismo.

Era “raiz” muito antes da comparação com “nutella”. Gostava de cortar o cabelo em uma barbearia próxima ao hospital em que trabalhava; no centro da cidade, almoçava em restaurantes com garçons hábeis em servir porções generosas com duas colheres. Marcava encontros semanais com os amigos para, essencialmente, dar risada da vida.

Dizia que os filhos não eram seus, mas do mundo. Por via das dúvidas, manteve-se a um quarteirão de distância por muitos anos depois do divórcio.

Vinha melhorando paulatinamente em futebol no videogame. “Agora, sim, achei meu time”, dizia a cada nova disputa, satisfeito em reduzir as margens das primeiras goleadas.

Desde o início da pandemia, expressava nas redes sociais sua preocupação com a Covid-19. Com um toque de “tiozão do churrasco” que usava em certas ocasiões, lamentou a celebração de um Carnaval “contagiante”.

Mesmo tomando todas as precauções, contraiu o vírus atendendo pacientes; morreu depois de mais de duas semanas internado em uma UTI.

Deixa a mulher, Ariadna, o enteado, Bruno, os filhos, Rodrigo e Rafael, e o neto, Pedro. A missa de sétimo dia será celebrada pela Paróquia Sagrada Família de Taubaté neste domingo (13), às 10h30, virtualmente.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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