Concessionária quer trocar aluguel de bikes do Ibirapuera e caso vai à Justiça

Empresa tenta trocar serviço que existe há 23 anos no local por bicicletas por aplicativo

São Paulo

A nova administradora do parque Ibirapuera, em São Paulo, concedido à iniciativa privada pela gestão Bruno Covas (PSDB) no fim de 2019, tenta retirar do principal parque da cidade a empresa que há mais de duas décadas aluga bicicletas para visitantes. A ideia é substituí-la por um serviço por aplicativo, que já está funcionando no local.

As tradicionais bicicletas verdes do Ibirapuera são alugadas pela Flavio Bike, empresa de Flavio Valdomiro. São 350 bicicletas que atendem até mil pessoas aos fins de semana, segundo o dono, que presta o serviço desde 1997.

O parque Ibirapuera é municipal e foi concedido pela prefeitura à Urbia, que é administrada pela empreiteira Construcap, por R$ 70,5 milhões durante 35 anos.

O edital de concessão diz que as seis permissionárias que já atuavam no parque, a Flavio Bike entre elas, teriam preferência para oferecerem seus serviços no local. Foi aí que começou o problema. Segundo Flavio, no último mês de outubro, Urbia ofereceu um contrato de três meses para a empresa e exigiu que ela mudasse de local, o que foi recusado.

“Eu neguei. Disse que queria de um contrato de 24 meses, como sabia que os outros permissionários estavam fazendo. Contrato de três meses só de período de experiência de trabalho. A Urbia disse que não ia fazer, eu entrei na Justiça e agora estou trabalhando com uma liminar”, diz ele.

Aluguel de bicicletas da Flavio Bike, no parque do Ibirapuera
Aluguel de bicicletas da Flavio Bike, no Ibirapuera - Divulgação

Procurada, a Urbia diz que “o antigo permissionário teve seu contrato encerrado pela prefeitura no ano passado, mas continua atuando de forma irregular, o que está sendo tratado em ação judicial.”

“A concessionária acredita na oferta diversificada de produtos e serviços que atendam aos diversos públicos de forma democrática e informa que aguardará decisão judicial final para se posicionar sobre o caso”, completa a empresa.

Com o caso na Justiça, a Urbia já colocou no parque no último dia 4 bicicletas do aplicativo Scoo, de modelo único, que podem ser liberadas pelo app, com um código QR, ou em um dos caixas no parque a R$ 10 por hora.

Já as bicicletas do atual permissionário podem ser alugadas por R$ 7 a hora, no caso dos modelos individuais, e por R$ 14 por hora nos triciclos para família, com capacidade para dois adultos e duas crianças.

Esta, segundo Flavio, é a principal vantagem em deixar o serviço como está: variedade de bicicletas com atendimento personalizado. Há bicicletas infantis, pode-se escolher opções com rodinhas e pode-se pedir também cadeirinhas para bebês. Além disso, antes da pandemia, a empresa também dava aulas de bicicleta em períodos de férias.

Para a historiadora Michelle La Marck, 24, o atual sistema tem vantagens um tanto pessoais: ela não sabe andar de bicicleta, então usa o triciclo para poder se divertir com a família, e as cestinhas das bikes são ideais para levar seu cachorro para passear.

"São coisas pessoais, mas o incômodo não é esse. O que mais me incomoda nessa história toda é saber que um serviço familiar que emprega pessoas, vários funcionários, que dá renda para várias famílias, está sendo retirado do parque sem mais nem menos", afirma. "Por que uma empresa que é mais barata para o consumidor e que tem mais opções para o consumidor está sendo retirada?", questiona.

O analista de sistemas Matheus Sena da Graça, 23, acredita numa solução híbriga. "Vale dá uma oportunidade para novas empresas também prestarem esse tipo de serviço, mas não substituindo o que já está estabilizado, pois assim seria mais trabalhoso para todo mundo se adaptar a uma mudança, mesmo que seja para melhor", diz.

"A melhor saída na minha opinião é criar mais espaços para novas empresas e opções para os usuários do parque", completa.

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