Descrição de chapéu Obituário Clovis Celulare (1946 - 2021)

Mortes: Chamado de 'anjo', foi pediatra de várias gerações em Bauru (SP)

Clovis Celulare é lembrado pelo profissionalismo e jeito atencioso com todos

São Paulo

A consultora social Rosa Maria Morceli conheceu o pediatra Clovis Celulare em uma circunstância dramática: o filho mais velho dela nasceu prematuro, ficou onze dias na UTI e precisou de cuidados intensivos para sobreviver.

"O Celulare ficou na maternidade, sem ir pra casa, até ter certeza que meu filho estava fora de perigo", lembra sobre o atendimento que aconteceu há 41 anos.

Foram três dias de plantão médico até o bebê ter forças para sugar o leite materno.

"Ele falou: Mãe, só o seu leite vai salvar seu filho".

Deu certo, César Augusto Morceli Rodrigues cresceu saudável e o médico ganhou de Rosa o apelido de "anjo".

Clovis Celulare (1946-2020) e a esposa Gil Celulare
Clovis Celulare (1946-2020) e a esposa Gil Celulare - Facebook de Gil Celulare

Celulare, vítima da Covid-19 aos 74 anos, era o pediatra mais conhecido de Bauru. Atendeu centenas de crianças no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP (Centrinho), onde atuou durante 32 anos, e em seu consultório particular.

A morte fez com que muitas mães, pais, colegas de trabalho e antigos pacientes ocupassem as redes sociais para contar sobre a relação de confiança com o profissional atencioso.

Um desses antigos pacientes é o deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB), 43, que foi prefeito de Bauru durante dois mandatos.

"Clóvis deixou sua marca de competência na vida de milhares de famílias e suas crianças da cidade e também daquelas que foram suas pacientes no hospital Centrinho", disse Agostinho.

Nascido em Jaú, o pediatra cursou medicina na USP de Ribeirão Preto e em seguida foi para Bauru. Marcou a vida de muitos de seus pacientes por acompanhá-los desde o parto até a adolescência. E, depois, atender os filhos dessas pessoas.

Além da competência profissional, é lembrado pelas brincadeiras que fazia para descontrair as famílias durante as consultas. Para uma mãe, por exemplo, dizia que faria uma peruca com as mechas do bebê cabeludo.

Trabalhou até sentir os primeiros sintomas da Covid-19. Estava internado em um hospital particular e morreu na madrugada de quinta-feira (21). Deixou a mulher, Gil Celulare, três filhos e três netos.

Em Bauru, cidade de 379 mil moradores, 337 pessoas já morreram vítimas da Covid-19 desde o início da pandemia.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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