Descrição de chapéu Obituário Dona Cotinha (1927 - 2021)

Mortes: Fez da sua casa um abrigo para os mais necessitados

Dona Cotinha era conhecida por ações de caridade na periferia de São Bernardo do Campo, como os famosos almoços de Natal para famílias carentes

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São Paulo

As portas da casa de Maria do Carmo Ribeiro Lemes, mais conhecida como dona Cotinha, no Parque São Bernardo, no ABC, sempre estiveram abertas a quem quer que fosse. É lá que batem os mais necessitados atrás de alimentos, roupas e quaisquer outros artigos que estejam precisando.

Àqueles que buscam a cura dos males do corpo e do espírito, a casa de dona Cotinha também sempre foi alento. O benzimento, que hoje é tradição, começou com o marido Antônio Lemes lá na década de 1960, quando a família chegou a São Bernardo vinda de Minas Gerais —com escala em Guaratinguetá.

Após a morte de Antônio, em 1996, a filha Ana prosseguiu com a missão do pai, sempre amparada por dona Cotinha, que tinha o “poder da oração”, como conta o filho mais velho Benedito da Silva Lemes, 68, o Ditinho da Congada. “Ela sempre rezou com tanta fé pelo próximo, que nunca deixou ninguém desamparado.”

Maria do Carmo Ribeiro Lemes, a Dona Cotinha, segura quadro com imagem do marido, Antônio Lemes, conhecido benzedor do Parque São Bernardo, na região do ABC - Rivaldo Gomes - 7.mai.19/Folhapress

Com a casa sempre tão cheia, dona Cotinha virou referência de caridade na periferia da cidade do ABC. Lá chegam doações de todo o país que são distribuídas conforme a necessidade de cada um. “Tem gente que só precisa do feijão, pois tem arroz. Tem quem precise de roupa para o filho. Ela sempre deu um jeito de ajudar”, diz Ditinho.

Nascida em Cordislândia (MG), dona Cotinha e o marido passaram dificuldades ao chegar em São Bernardo do Campo, mas se mantiveram firmes e sempre com o objetivo de ajudar o próximo.

“Teve um Natal que a gente não tinha almoço. Aí questionei o meu pai que Deus era esse para o qual a gente rezava e nada melhorava. E ele e minha mãe disseram que a gente deveria continuar a rezar, pois um dia teríamos o suficiente para até dividir com os outros”, lembra Ditinho.

E esse dia chegou. Há 21 anos dona Cotinha comandava o almoço de Natal do Parque São Bernardo, que distribui cerca de 5.000 refeições todo dia 25 de dezembro. O arroz, feijão, macarrão e frango sempre vinham acompanhados de distribuição de brinquedos e muita festa —tudo fruto de doações conseguidas pela família.

Em 2020 o almoço não foi servido em razão da pandemia, o que deixou Cotinha muito triste. “Mas ela disse que neste ano a gente faria uma festa linda. Não deu tempo”, lamenta o filho, que promete manter os projetos de caridade tocados pela família.

Dona Cotinha morreu aos 93 anos de parada cardíaca no último dia 4, após ter um acidente vascular cerebral. Deixa oito filhos, netos e bisnetos e uma legião de famílias carentes que encontravam acolhida em seu lar.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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