Sem Carnaval, artistas e foliões vivem luto, mas já sonham com festa de 2022

Ensaio retrata a melancolia dos sem-Carnaval; veja fotos

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Luis Vieira da Silva, o Lulinha, carrega tuba na Olinda que não terá Carnaval

Luis Vieira da Silva, o Lulinha, carrega tuba na Olinda que não terá Carnaval Leo Caldas/Folhapress

Recife e Rio de Janeiro

Da janela de casa, na descida da Ladeira da Misericórdia, Araildes Lopes Botelho, 95, observa uma Olinda em completo silêncio. Ela, que cresceu com o barulho bom do Carnaval, diz que nunca pensou em vivenciar este momento na vida.

A primeira lembrança é de quando tinha oito anos. “Eu vi o Homem da Meia-Noite pela primeira vez”, diz. “Vamos fazer esse silêncio agora para a festa ser dobrada em 2022.”

Perto dali, o bonequeiro Carlos da Burra, que carrega nos ombros a maior entidade do Carnaval pernambucano, o Homem da Meia-Noite, está na contagem regressiva.

“A tristeza é do tamanho dele, gigantesca, mas estamos salvando vidas. No próximo ano, vamos comemorar os 90 anos. Vai ser a festa mais bonita de todas”, emociona-se.

Em Olinda, os músicos vivem um luto momentâneo. Luiz Carlos Vieira da Silva, o Lulinha da Tuba, da tradicional escola de frevo Grêmio Henrique Dias, diz que sente vontade de chorar. “Dói muito. A falta é muito grande, mas vamos passar por isso e voltar com muita alegria e saúde.”

No Rio de Janeiro, as arquibancadas da Sapucaí ficaram vazias neste Carnaval. Selma Rocha, a Selminha, chorou ao adentrar o Sambódromo e deparar com a realidade: seria a primeira vez em 42 anos em que não desfilaria na avenida.

Porta-bandeira da Beija Flor, ela desfila desde os 8 anos. Em 2021, comemoraria 30 anos ao lado do mestre-sala Cláudio de Souza, o Claudinho. “Já tive meus momentos de chorar muito, mas os poucos fui assimilando que terão outros carnavais. Claro que no domingo, quando a Beija Flor deveria desfilar, vou ficar muito mexida. Mas o melhor que aconteceu foi o cancelamento, para que vidas possam ser poupadas”, diz.

Para ela, a festa de 2022 será a melhor de todas. “As escolas e os sambistas vão se reinventar, cantar com mais força e sambar com mais firmeza.”

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