Descrição de chapéu Obituário Nelson Santoyo (1930 - 2021)

Mortes: De médico a garçom, protegeu e inspirou a família

Pediatra, Nelson Santoyo optou por exercer a profissão na área pública

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São Paulo

Durante os dias que lhe restavam, o pediatra Nelson Santoyo aproveitou para colocar em cartas alguns desejos pós morte.

Uma delas guardava o pedido para ter a sua história contada na coluna de obituários da Folha.

A carta em questão estava misturada a poemas, frases impactantes, recortes, cartas de amor à esposa e outras com recados a familiares dentro de uma pasta encontrada por acaso pela filha Isabella Santoyo, 44.

Nelson partiu no dia 19 de fevereiro, aos 90 anos, em decorrência de infecção generalizada. Sua vida foi marcada pela humanidade e amor à família e ao próximo.

Nelson Santoyo (1930-2021)
Nelson Santoyo (1930-2021) - Arquivo pessoal

Decidiu exercer a profissão na saúde pública, pois era um crítico daqueles que cobravam altos preços pelas consultas médicas. Via o fato como um absurdo e sem necessidade.

Paulistano do Belenzinho (zona leste), Nelson era o caçula de três filhos. Mudou-se para o Rio de Janeiro ainda jovem, no intuito de estudar medicina.

Após a formatura, retornou à capital paulista e assim que teve condições financeiras presenteou os pais com um apartamento em Santos (a 72 km de SP) —forma de agradecimento pelos anos de estudo pagos.

Ao longo da carreira, trabalhou no Posto de Atendimento Médico Santa Cruz (hoje chamado de Núcleo de Gestão Assistencial), na Vila Mariana (zona sul), e perto de se aposentar aceitou o convite do então secretário de Saúde, Nader Wafae, para dirigir o Hospital Heliópolis, onde ficou cerca de dois anos.

Assim que deixou a medicina, passou a ajudar a esposa Arlette Marar Santoyo, 81, no restaurante Gulla, em Moema (zona sul).

“Meu pai costumava brincar que foi de médico a garçom”, conta a filha Isabella.

A comida bem preparada de Arlette e a organização do local —mérito de Nelson—transformaram o restaurante na extensão de sua casa.

Nelson e Arlette se conheceram em Santos, através de uma amiga em comum. Namoraram e casaram em pouco tempo. Foram 56 anos de união e três filhos, um já falecido.

Nelson tinha temperamento eclético: emotivo e contido, mas enérgico e rígido, principalmente na educação dos filhos.

Bom caráter, destacava-se pela forma elegante de se vestir e falar. Tinha gosto refinado. Incentivou os filhos a tocarem piano, ouvirem música clássica, lerem jornais e muitos livros.

“Ele recortava os artigos e colocava na nossa cama para leitura. Meu pai era muito inteligente e também nos incentivou a usar o dicionário. Ele se preocupava com as coisas da escola. Era o nosso guru. Sabia tudo. Dizia que livro não se joga fora. Guardamos ou doamos a alguém, afirma Isabella”.

Nelson foi feliz sem grandes ambições. Conseguiu o que considerava mais importante: proporcionar o melhor à família.

Nelson Santoyo deixa a esposa, dois filhos e duas netas.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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