Descrição de chapéu Obituário Rosana Bullara (1957 - 2021)

Mortes: Driblou a paralisia, venceu limites e seguiu a vida

Rosana Bullara amava a filha, o neto, a fotografia e os animais

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São Paulo

A paulistana Rosana Bullara foi a representação do amor. Amava a filha Ana Yara Bullara Oliveira, 28, o neto Nitai, 3, a fotografia e os animais. Cães e gatos foram seus companheiros de jornada.

A Covid-19 interrompeu a trajetória da destemida militante das lutas sindicais e de outras causas na busca por um Brasil melhor.

“Ela assumiu altos riscos nos movimentos que participou. Não fazia por ela, mas pelo próximo. Ela não se conformava com a desigualdade social”, conta o administrador de empresas Silvio Bullara, 58, seu irmão.

Dos sonhos que levou consigo, dois não foram realizados: participar da educação do neto e conhecer a Sicília, na Itália, local de nascimento de seu avô Giusepe Bullara.

Rosana Bullara (1957-2021)
Rosana Bullara (1957-2021) - Arquivo pessoal

Rosana era a mais velha entre três filhos. Aos nove meses, foi diagnosticada com poliomielite.

A infância difícil teve momentos alegres. Ao longo da trajetória, Rosana foi cercada de cuidados e carinho por parte da família. A paralisia infantil não a impediu de andar, pois se locomovia com muletas. Superou dificuldades físicas e seguiu a vida que desejou.

Rosana nadava como um peixe nas piscinas do Palmeiras. Adulta, tirou carta de motorista e amou a possibilidade de desfrutar da liberdade ao decidir morar sozinha aos 19 anos. Nos últimos anos, devido à obesidade, usava cadeira de rodas.

“Ela fazia questão de dizer que a paralisia nunca chegou a ser uma deficiência”, diz Silvio.

Rosana formou-se em ciências sociais na USP. Na instituição, trabalhou por muitos anos no Museu de Arqueologia e Etnologia e na Faculdade de Educação. Ultimamente, estava na Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Ela também foi diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP. Em posse do MTb, mesmo sem estudar jornalismo, atuou na profissão. Editou o jornal da Associação dos Servidores da USP.

Para Silvio, sua marca registrada era o coração. De extrema generosidade, não podia ver ninguém sofrer. “Seu coração de ouro é indiscutível. Perdi a irmã e minha melhor amiga.”

Rosana Bullara morreu dia 10 de março, aos 63 anos. Deixa a filha, o neto, dois irmãos e a mãe.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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