Descrição de chapéu Obituário Anderson Cirilo de Paula Souza (1971 - 2021)

Mortes: Pai e professor, deixou fotos sorridentes e lembranças

Anderson Cirilo queria criar uma ONG para preservar locais históricos de Presidente Prudente

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Braço do Norte (SC)

O professor universitário Anderson Cirilo, 50, era bom em acolher as pessoas —e, claro, em compartilhar histórias. Em sala, ia além da grade disciplinar com os alunos, usualmente de comunicação social, que eram tratados de igual para igual, já como profissionais.

Publicitário, falava da rotina das agências, de espiritualidade, de viagens, contava piadas, motivava os pupilos e os ouvia. Às vezes, levava o papo para os corredores ou até para ser acompanhado de uma cervejinha em algum bar nos arredores da universidade.

Gostava de reunir também familiares e amigos, mesmo os mais antigos. "Ele era agregador", diz o irmão mais novo, Danilo. Com os pares acadêmicos, o trato fácil era o mesmo, sempre sorridente. "Aprendi com ele também a ser professor", diz Roberto Mancuzo, colega de profissão.

Privado disso desde o início da pandemia, com aulas online, decidiu impulsionar o diálogo no Facebook, onde havia criado um grupo para recuperar a memória de sua cidade natal, chamado Fotos históricas e boas lembranças de Presidente Prudente, hoje com mais de 18 mil pessoas.

"Ele queria criar um ONG para preservar locais históricos de Prudente, fazer um livro-memorial", afirma Renato Pandur, também professor e amigo de Cirilo, com quem gostava de conversar sobre espiritismo, doutrina da qual o publicitário, interessado em diferentes religiões, era adepto.

A última publicação de Cirilo no grupo foi para pedir orações, já internado em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com Covid-19, prestes a ser intubado na Santa Casa prudentina. "Rogo a esta irmandade que me envie todas as energias positivas." Morreu ali duas semanas depois, no último dia 5.

Anderson Cirilo de Paula Souza​ (1971-2021)
Anderson Cirilo de Paula Souza​ (1971-2021) - Anderson Cirilo no Facebook

Nascido em 29 de janeiro de 1971, Anderson Cirilo de Paula Souza, o Cirilão, cresceu em Prudente. Deixou a cidade para se graduar em comunicação social na ESPM em 1992, em São Paulo, onde atuou no mercado publicitário. Ainda cursou letras na USP, mas não concluiu.

Após o período na capital, acompanhou o pai, Elvécio, em mudança a trabalho, no Recife (PE), o que despertou sua paixão pelo Nordeste, para onde ia com frequência. Nos últimos cinco anos e meio, viajava acompanhado da namorada, Edmarcia Fidelis, com quem falava em se casar e viver na praia.​

Com o pai, também foi a Londrina (PR), onde conheceu Simone Durães, mãe de sua única filha, Anna Luísa. Eles chegaram a se casar, mas a esposa faleceu dias após o parto, em 2006, por uma complicação no intestino. Cirilo voltou então à casa dos pais, em Prudente, que ajudaram na criação da neta.

Poucos anos depois a mãe do professor, Zenaide, desenvolveu mal de Alzheimer e também passou a exigir cuidados. Cirilo se dividia assim entre ela e a filha, que cresceu com liberdade para brincar de boneca com o pai e maquiá-lo, entre outras diversões.

Em 2015, fez um mochilão de duas semanas com Anna pela Europa. Em janeiro deste ano, dedicou um texto à filha, que completou 15 anos na ocasião: "Amo você mais que minha própria vida".

De volta ao interior paulista após as mudanças com o pai, Cirilo se especializou em marketing e passou a lecionar em universidades privadas. Na Unoeste, em Prudente, foram dez anos. Já na Unifai, em Adamantina, se mantinha desde 2006.

Cirilo contraiu o coronavírus no fim de fevereiro. Hipertenso, esteve internado até a morte. A mãe também faleceu pela Covid-19, uma semana antes, aos 80 anos. O pai, 76, foi outro a contrair a doença e soube da morte do filho ainda do hospital.

Anderson Cirilo deixa ainda a irmã, Anna Beatriz, e o grupo de memórias dos prudentinos como herança para a filha. "Em homenagem a ele, irei continuar", escreveu ela em publicação recente na qual agradeceu pelas mensagens de condolências.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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