Descrição de chapéu Coronavírus

Primeiro dia útil com medidas restritivas no DF é marcado por protesto e comércio aberto

Mais de 120 estabelecimentos foram fechados desde domingo (28); governador diz que é preciso aumentar o número de leitos e reduzir a taxa de transmissão do vírus

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Brasília

No primeiro dia útil de novas medidas restritivas em vigor no Distrito Federal, a circulação das pessoas diminuiu, mas alguns estabelecimentos permaneceram abertos e ambulantes continuaram seus trabalhos pelas ruas de Brasília. Também houve protestos em frente ao Palácio do Buriti contra as ações.

​O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decretou as medidas na sexta-feira (26). Até o dia 15 de março, todas as atividades comerciais estão suspensas, exceto os serviços essenciais.

Movimentação na rodoviária do plano piloto na capital federal, apesar das medidas de restrição adotadas pelo governo do Distrito Federal - Raul Spinassé/Folhapress

A Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal informou, em nota, que até as 14h, 123 estabelecimentos foram fechados e um foi interditado no Distrito Federal. Também foram vistoriados 79 quiosques, e 14 deles foram fechados.

“Nenhum estabelecimento foi multado. Os dois primeiros dias estão sendo para orientar os comerciantes sobre o lockdown”, disse em nota.

A medida tem gerado revolta no setor produtivo do Distrito Federal. Com cartazes e gritos pedindo o retorno ao trabalho, um grupo se reuniu em frente ao Palácio do Buriti, onde fica o governador Ibaneis Rocha, na manhã desta segunda-feira (1).

Manifestação em frente ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, pede fim das restrições - Raul Spinassé/Folhapress

Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 600 pessoas estavam na manifestação, que durou aproximadamente duas horas.

Leonardo Resende, diretor da ACDF (Associação Comercial do Distrito Federal) e um dos organizadores do movimento Lockdown no DF Não, disse que a situação do comércio é preocupante.

O movimento é formado por pessoas do setor produtivo, como o Sindhobar (Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília) e o Sindac-DF (Sindicato das Academias do Distrito Federal).

“Conseguimos juntar empregado e empregador para protestar. Desde o início da pandemia o comércio teve um prejuízo inestimável. As pessoas não aguentam mais ficar paradas", disse Resende.

A deputada Julia Lucy (Novo) esteve presente na manifestação. A parlamentar apresentou um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) para derrubar o decreto na Câmara Legislativa do Distrito Federal nesta segunda-feira (1). A previsão é que ele seja discutido nesta terça-feira (2).

“Acredito que o setor esteja sendo punido devido a uma parcela que não cumpriu as medidas sanitárias”, afirmou.

Apesar de a maioria das lojas de rua estarem fechadas, algumas não respeitaram as medidas restritivas. O aposentado Antônio Francisco Alencar Vieira permaneceu com sua sapataria aberta na avenida W3 Sul.

“O movimento caiu muito, mas eu permaneço com a loja aberta tomando todos os cuidados para não ter aglomeração”, disse.

O decreto proíbe também o comércio ambulante, mas a atividade não parou, principalmente na rodoviária de Brasília. “Quem vai pagar minhas contas? Eu preciso trabalhar”, disse o vendedor ambulante Gilmar dos Santos.

Nas redes sociais, o governador disse que conversou com representantes do setor produtivo para mostrar que a taxa de transmissibilidade do vírus está alta. Ele afirmou que é preciso interromper a circulação de pessoas ou a crise não vai ter fim.

“No fim de semana abrimos 60 novos leitos de UTI para Covid-19 e imediatamente 54 deles foram ocupados. Isso mostra a gravidade da situação no DF. O decreto de lockdown não me traz nenhum tipo de satisfação, pelo contrário, mas eu não posso fugir das minhas responsabilidades”, disse.

Em reunião, Ibaneis chegou a dizer que poderá liberar algumas atividades, como escolas e academias, antes do vencimento do decreto se conseguir aumentar o número de leitos de UTI e reduzir a taxa de transmissão do vírus.

O presidente em exercício da Fecomércio-DF (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal), Edson Castro,reuniu-se com o governador e secretários de governo e disse que é necessário haver um meio termo, para que não haja mais prejuízos para a economia local.

“O governador garantiu que se houver uma diminuição na contaminação ele reavaliará o lockdown. Pode ser que durante essa semana eles consigam liberar mais segmentos. Vamos continuar dialogando para que isso seja feito de forma ordenada e com a maior segurança possível, para evitar mais demissões e falências na cidade."

Antes da publicação do decreto, a previsão era de que as medidas restritivas começariam a valer na segunda-feira (1), mas foram antecipadas para domingo (28).

O governador tomou a decisão de decretar as medidas restritivas após a alta taxa de ocupação de leitos de UTI no Distrito Federal, que passou de 90% no final de semana.​

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