Descrição de chapéu Obituário Maurilo Clareto (1960 - 2021)

Mortes: Da Amazônia à cracolândia, o fotógrafo que retratou e comoveu o Brasil

Lilo Clareto morreu devido a complicações da Covid-19, aos 61 anos

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São Paulo

A foto de 20 x 20 cm, intitulada Passarinho, chegou pelos Correios no dia 15 de abril, dois dias depois do aniversário de 61 anos de Lilo Clareto, autor do retrato em preto e branco de uma menina que salta no ar diante da imensidão amazônica.

Ela se chama Alice Yudjá e mora na Volta Grande do Xingu. Foi retratada em 2015 pelo fotógrafo que ganhou expressão por captar a leveza e a dureza de um Brasil de riquezas e belezas, mas também de desigualdades e mazelas sociais e ambientais.

É uma das tantas imagens icônicas produzidas pelo mineiro de Passos, um dos 16 filhos de dona Geraldinha, que se alfabetizou aos 92 anos, e de seu Antonio, um contador de história, assim como o herdeiro fotojornalista.

O fotojornalista Lilo Clareto e sua filha Maria - @respiralilo no Instagram

Nascido Maurilo, logo virou Lilo, como ficou conhecido por seu trabalho em importantes veículos no Brasil e no exterior, entre eles os jornais o Estado de S. Paulo e El País e a revista Época.

A foto Passarinho é uma das selecionadas para a Galeria Solidária criada por amigos e familiares para apoiar o fotógrafo na longa batalha contra a Covid-19.

Nesta quarta-feira (21), Lilo morreu após quase um mês na UTI de um hospital privado em São Paulo, ainda à espera de uma vaga no SUS. Um drama financeiro que se somou ao luto e mantém viva a rede de solidariedade formada a partir da campanha #RespiraLilo, que comoveu gente de Norte a Sul do país.

"Nosso Lilo, meu Lilo, virou árvore, virou rio, virou floresta. Virou luz e virou chuva. Virou vagalume, borboleta amarela na Terra do Meio”, escreveu a jornalista e escritora Eliane Brum, em um post de despedida.

“A causa direta da morte foi Covid-19. Mas não foi o vírus que matou Lilo. Foi quem disseminou o vírus pelo Brasil”, conclui, ao responsabilizar o presidente Jair Bolsonaro pelo colapso sanitário no país.

Parceiros em inúmeras reportagens, Eliane convenceu o colega a se mudar para Altamira (PA). Era de lá que a dupla fazia a cobertura sobre violações ambientais e humanas na floresta desde a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Foi lá que ele se apaixonou por Daniela Silva, ativista socioambiental, mãe da sua filha caçula, Maria, 2. Lilo deixa outras três filhas adultas, Bia, Fran e Gabi, fruto do primeiro casamento.

Deixa ainda uma legião de fãs e amigos que sempre terão belas histórias com e sobre o Lilo para contar. A ponto de virar verbo, o neologismo “lilar”, a arte de olhar o mundo e as pessoas com sensibilidade.

Um Lilo que postou em 2014: Enterrem meu coração numa curva do riozinho do Afrísio, uma reserva extrativista que captou com suas lentes.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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