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Mococa é a 30ª cidade de SP alvo de criminosos do 'novo cangaço' desde 2018

Quadrilha invadiu município na madrugada desta quarta (7), levando terror a moradores

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São Paulo

Mococa, com seus 68 mil habitantes a 267 km da capital paulista, tornou-se na madrugada desta quarta-feira (7) a 30ª cidade do estado de São Paulo a conhecer, desde 2018, o terror levado pelas quadrilhas especializadas a ataques ultraviolentos a instituições financeiras, o chamado “novo cangaço”.

O número de ataques é ainda maior porque algumas cidades foram atacadas mais de uma vez, como Limeira, Botucatu e Paraibuna, todos no interior do estado.

Classificados pela Polícia Militar como atos de “criminalidade ultravioleta”, esses ataques são, por via de regra, praticados por criminosos fortemente armados, em grupo de 15 a 30 homens, que chegam a cidades de pequeno e médio portes, durante a madrugada, em comboios de veículos potentes, como SUVs.

Parte do comboio segue para a área central, em especial nos trechos onde estão concentradas agências bancárias, enquanto o restante da quadrilha se espalha por pontos estratégicos para dificultar a ação dos policiais, chegando a atacar bases da Polícia Militar para evitar que equipes saíssem de lá.

Criminosos provocam terror em Mococa, no interior de São Paulo, a 30ª cidade a ser alvo desses crimes desde 2018 - Divulgação

Em Mococa, segundo da PM, havia quatro equipes em patrulhamento pela cidade no início dos ataques e um policial na sede da companhia. As viaturas, por orientação do comando, se afastaram da região de bancos para evitar confrontos, enquanto os reforços eram solicitados.

Nenhum policial ficou ferido desta vez, mas já houve caso de policiais mortos e feridos por essas quadrilhas que, geralmente, usam fuzis e metralhadoras capazes de perfurar até mesmo veículos blindados, ou derrubar aeronaves –como os helicópteros da polícia.

Mesmo sem confronto, como em Mococa, os criminosos realizam diversos disparos durante as ações como forma de intimidação. “Como na madrugada o barulho é muito alto, acabam disseminando o pânico nas pessoas”, disse o capitão Carlos Roberto Negrini, comandando do policiamento ostensivo local.

Agência bancária de Mococa (SP) que foi alvo de ataque de criminosos - Gabriel Delena/Jornal Meio Dia

Outra característica mais comum desses crimes é ocorrerem em datas próximas ao pagamento de servidores públicos ou liberação de dinheiro em programas de assistência. Segundo a PM, era esse o caso de Mococa.

“Hoje é dia do pagamento do pessoal, do auxílio, deveria ter uma porcentagem maior de valores”, disse o oficial da PM sobre a Caixa Econômica Federal ter sido alvo dos criminosos.

Relatório da PM obtido pela Folha no final de 2020 também apontava o número recorde de apreensões de drogas como um dos motivos para que criminosos estivessem investindo nesse tipo de ação.

Buraco aberto em parede de UPA de Mococa após ação de criminosos na cidade
Buraco aberto em parede de UPA de Mococa por bala após ação de criminosos na cidade - Divulgação/Prefeitura de Mococa

Uma das novidades dos bandidos na ação de Mococa foi o uso de drones para analisar a movimentação das forças policiais e, com isso, antecipar qualquer tentativa de enfrentamento. Talvez por isso, segundo a polícia, quando as equipes do Baep chegaram em reforço à cidade, os criminosos fugiram.

Até na noite desta quarta, ninguém havia sido preso ou identificado. Cinco veículos usados na ação foram abandonados, três deles em Minas Gerais, estado que faz divisa com o município de Mococa.

Também é comum depois que dessas ações criminosas as policiais Civil e Militar realizem operações nas cidades atacadas, com uso de helicóptero e grande contingente de homens para mostrar a força do estado. Como em Mococa.

“Estamos fazendo operação o dia todo, com apoio do helicóptero Águia, com Baep de Piracicaba, com mais nove viatura do Baep, fazendo essas ações para tentar reestabelecer a sensação de segurança da população”, disse Negrini.

A Polícia Civil não indicou ninguém para comentar o assunto.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o estado de São Paulo teve uma queda de 93% no número de roubos a bancos 2006 e 2020. No ano dos ataques do PCC, foram 442 ocorrências, contra 20 no ano passado.

“Desde 2019, 79 criminosos ligados a esta prática criminosa foram presos no estado, incluindo um dos líderes de uma quadrilha responsável por roubos a empresas de transportes de valores, agências bancárias e aviões pagadores, em janeiro deste ano”, diz nota.

A nota diz ainda que as polícias paulistas atuam de maneira integrada, com uso de inteligência para reduzir todas as modalidades criminosas, e que o governo tem investido fortemente nos efetivos e estruturas policiais para combater o crime.

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