Descrição de chapéu Obituário Maria Lucia Cardoso de Almeida (1955 - 2021)

Morte: Pioneira no estudo da doença do sono, alçou voos na ciência

Na Inglaterra, Maria Lucia Cardoso de Almeida dividia mesa com prêmios Nobel

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São Paulo

A paulistana Maria Lucia Cardoso de Almeida voou alto dentro da ciência.

Teimosa, persistente e perfeccionista, Maria Lucia sabia que dava o passo certo quando trocou a faculdade de psicologia, no terceiro ano, pela de farmácia, ambas na USP. O mestrado foi em bioquímica, na mesma instituição.

Para o doutorado, alçou um voo mais alto: Microbiologia Celular, em Cambridge, na Inglaterra.

“Lá, tornou-se pioneira no estudo do Trypanosoma brucei, responsável pela doença do sono. Ela começou na Inglaterra e prosseguiu com os estudos no Brasil”, diz o jornalista Felipe Mortara, 37, seu único filho.

“Minha mãe foi a primeira mulher do St. John’s College escolhida como um dos dois membros anuais a pertencer à confraria oficial da universidade. Ela dividia mesa com personalidades do prêmio Nobel, como James Watson, um dos descobridores da estrutura do DNA, por exemplo”, conta Felipe.

Maria Lucia Cardoso de Almeida (1955-2021) e o filho Felipe Mortara
Maria Lucia Cardoso de Almeida (1955-2021) e o filho Felipe Mortara - Arquivo pessoal

No início da década de 1980, Maria Lucia foi destaque na capa da revista Nature com o seu trabalho de doutorado.

O retorno ao Brasil ocorreu em 1986. Tempos depois, foi aprovada como professora de microbiologia celular na Escola Paulista de Medicina e lá se aposentou.

Maria Lucia amava viajar sozinha. Nos últimos anos de sua vida morou na rua Augusta (região central) com duas gatas que a inspiravam, um canarinho e um jardim com cerca de 300 vasos de plantas de todos os tamanhos.

“Ela dizia que quem tem um gato em casa não precisa de esculturas”, afirma Felipe.

Maria Lucia era mais intelectual que social, mas sua enorme generosidade é lembrada entre os familiares e amigos do Brasil e do exterior.

Ela voltou a estudar. Formou-se em direito na PUC, em 2017, e cursava o terceiro ano de ciências sociais na USP quando as complicações de uma trombose na região do abdômen interromperam sua vida, no dia 14 de março, aos 65 anos.

Dias antes da morte os médicos encontraram em Maria Lucia anticorpos contra a Covid-19.

Com altos e baixos na saúde, Maria Lucia achou que fosse morrer em dois momentos, no início dos anos 2000 e em meados de 2007, quando reformou o túmulo da família no cemitério do Araçá.

Em 2009, escreveu uma carta-testamento. Entre os desejos, pediu para ser enterrada com calça verde-limão e blusa laranja. Maria Lucia gostava de vestir cores alegres. Também quis levar para o caixão dois gatos de pelúcia para simbolizar Lika e Juju, seus felinos de estimação.

Ela deixa o filho Felipe, as irmãs Sofia, Ana e Rita, e a mãe Lucy.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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