Descrição de chapéu Obituário Francisco Guimarães Moreira Filho (1935 - 2021)

Mortes: Esteve em viagem que inspirou seu primo Guimarães Rosa

Francisco Guimarães Moreira Filho viu nascer 'Grande Sertão: Veredas'

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São Paulo

Primo de segundo grau do escritor João Guimarães Rosa, Francisco Guimarães Moreira Filho —ironicamente apelidado de criolo por ser branco demais— era o único remanescente vivo da viagem que deu origem a uma joia da literatura brasileira: “Grande Sertão: Veredas”.

De acordo com a aposentada Jucelma Moura Guimarães, 61, filha de Criolo, em meados de 1952 seu pai, Guimarães Rosa e alguns vaqueiros fizeram parte da comitiva organizada por Francisco Guimarães Moreira (pai de Criolo) para atravessar o sertão mineiro, uma viagem de dez dias.

O grupo saiu da fazenda Sirga, onde hoje é o município de Três Marias, para levar 180 cabeças de gado até a fazenda São Francisco, em Araçaí (distante mais de 200 km).

Francisco Guimarães Moreira Filho, o "Criolo", na empresa de sua família em Sete Lagoas (MG)
Francisco Guimarães Moreira Filho, o "Criolo", na empresa de sua família em Sete Lagoas (MG) - Alexandre Rezende - 24.mai.2016/Folhapress

Criolo, com 17 anos à época, enfrentou dificuldades e aprendeu a cavalgar e a tocar boiada. Durante a expedição, o escritor fez as primeiras anotações do que seria a obra-prima.

“Meu pai contava que Guimarães Rosa andava com uma cadernetinha pendurada no pescoço anotando tudo o que via”, relata Jucelma.

Guimarães Rosa morreu em 1967, mas deixou as lembranças vivas com Criolo.

Em 2007, para comemorar o centenário do nascimento do escritor, Criolo refez a viagem acompanhado de 40 pessoas.

Criolo nasceu em Paraopeba (MG). Era o caçula de sete irmãos. Casou-se com Beatriz Maria Moura, que morava na fazenda vizinha, e tiveram seis filhos, dois já falecidos.

“Meu pai era carinhoso, amoroso, humilde, educado e nos ensinou a respeitar as pessoas. Alegre e festeiro, também gostava de dançar moda de viola”, diz Jucelma.

Criolo foi caminhoneiro, dono de uma pedreira e dono de uma empresa de guinchos e socorro automotivo em Sete Lagoas (MG).

Ele morreu dia 4 de maio, aos 86, de insuficiência respiratória. Viúvo, deixa quatro filhos, 11 netos e uma bisneta.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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