Descrição de chapéu interior de são paulo

Emergência hídrica castiga abastecimento de água no interior de SP

Enquanto alguns municípios adotam rodízio no fornecimento, outros já convivem com racionamento devido à falta de chuvas

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Tote Nunes
Campinas

Em alerta de emergência hídrica emitido pelo Sistema Nacional de Meteorologia desde maio, o estado de São Paulo tem registrado agravamento dos efeitos da estiagem. Nos últimos meses, cidades paulistas têm adotado racionamento por conta da escassez de chuva e queda nos níveis dos reservatórios.

A cidade de Tietê (a 120 km de capital), por exemplo, começa a adotar racionamento de água a partir da próxima segunda-feira (2).

Há uma semana, o prefeito Vlamir Sandei (PSDB) decretou estado de emergência hídrica no município. O decreto proíbe a utilização da água potável para lavagem de calçadas, quintais, limpeza de veículos ou reabastecimento de piscinas.

Agora entrará em vigor o racionamento, que deverá atingir perto de 15 mil pessoas –um terço dos moradores da cidade– das regiões central e do São Pedro.

Imagem mostra represa praticamente vazia no interior de São Paulo
Represa de Itupararanga, que abastece 80% das residências de Sorocaba (SP), com níveis baixos de água - Danilo Verpa/Folhapress

Na região central, parte terá corte de água às segundas e quartas-feiras e outra parte, às terças e quintas. Já na região do São Pedro, haverá interrupção do fornecimento todos os dias, das 22h às 4h.

A cidade –que não pode fazer captações no rio Tietê por causa da poluição– obtém a água para uso e consumo em poços artesianos. Mas até mesmo os poços estão com pouca vazão.

“Buscamos a água subterrânea no aquífero Tubarão, já que não temos mananciais. Mas sempre tivemos muita água”, disse o secretário de governo, Sulleiman Schiavi Nicolosi. Segundo ele, o problema surgiu agora por conta de uma diminuição significativa no nível de água dos poços.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto informou que a cidade possui 26 poços profundos e 26 reservatórios em operação, com capacidade de 7 milhões de litros de água.

“Mas em operações de limpeza constatou-se redução de vazão em pelo menos três deles. Os poços da região central registraram redução de aproximadamente 25% da capacidade usual”, informou.

Os cerca de 35 mil habitantes da cidade de Rio das Pedras, na região noroeste do estado, começaram nesta semana a fase mais dura do racionamento desde maio, quando foi implantado um sistema de controle na liberação de água na cidade.

Desde quarta-feira (28), o corte no fornecimento se dá por um período de oito horas, das 10h às 18h, todos os dias. Até então, o corte acontecia do meio-dia às 18h.

“O aumento no período é uma forma de garantir que as pessoas tenham água todos os dias”, explicou Emerson Vieira, superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Rio das Pedras. “Estamos vivendo uma grave crise hídrica”, afirmou.

Nesta sexta-feira (30), por exemplo, o reservatório Bom Jesus –conhecido como Tancão e um dos principais da cidade– estava com apenas 30% da capacidade.

Vieira diz que busca alternativas. Conta que foram perfurados ou reativados cinco poços artesianos e promete abrir licitações para a perfuração de mais 20 poços na cidade.

O superintendente diz ainda que implantou um sistema móvel de captação, em que transfere água de um reservatório para outro por meio de tubulações colocadas sobre a terra, e que iniciou a construção de uma nova estação de tratamento e a limpeza das margens das represas.

Ele afirmou que vai refazer quatro quilômetros de rede para reduzir as perdas de água, que chegam a 50% na cidade. “Na rede de abastecimento é de 1962”, disse.

A represa de Itupararanga –que atende 85% da população de Sorocaba– perdeu mais da metade do seu volume de água em um ano. O volume era de 62% em julho do ano passado, mas caiu para 30,7% nesta semana.

A Votorantim Energia, empresa que faz a operação da barragem, informou em nota que desde a segunda quinzena de dezembro de 2020 libera somente a vazão mínima obrigatória, que é o mínimo permitido pelos órgãos de regulação.

Informou ainda que vem diminuindo a geração de energia. A empresa, no entanto, não quis comentar sobre medidas a serem adotadas, caso a escassez de chuva se prolongue pelos próximos dois ou três meses.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba informou que acompanha diariamente os níveis dos mananciais que atendem a cidade e disse que, por enquanto, não há previsão de restrições no sistema de abastecimento, mesmo com a expectativa de chuvas abaixo da média para os próximos meses. No ano passado, a cidade chegou a adotar um sistema de rodízio.

Diz ainda que tem a outorga para captação de até 1.950 litros de água por segundo da represa de Itupararanga para abastecimento público e que a cidade tem utilizado esse volume.

Mas esta não é a única fonte de água da cidade. A prefeitura retira água também de outros dois mananciais (Ipaneminha e Ferraz/Castelinho), além de captar água do rio Sorocaba. A cidade tem cerca de 700 mil habitantes.

Os habitantes de Itu (a 101 km de São Paulo) convivem com racionamento de água desde a primeira semana de julho.

A Companhia Ituana de Saneamento informou nesta quinta-feira (28) que vai encerrar o mês com baixo volume de chuvas e que, no momento, os mananciais operam com 40,2% de capacidade –um pouco melhor que no início do mês, quando chegou a 32%.

Na região central da cidade, o rodízio é feito no sistema 24h/24h. Ou seja, imóveis são abastecidos dia sim e dia não. Em outras regiões, o abastecimento é interrompido dois dias por semana.

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