Descrição de chapéu Obituário William Jorge Crede (1937 - 2021)

Mortes: Médico apaixonado, era fã de futebol e do Corinthians

William Jorge Crede foi mais uma vítima da Covid-19

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São Paulo

Grande parte dos seus 83 anos de vida, William Jorge Crede dedicou à medicina. Atencioso e dedicado, William fez parte de uma geração de médicos que ia à casa dos pacientes a qualquer hora do dia ou da noite se fosse preciso, consultava sem pressa e transmitia confiança através do olhar. Movido pelo amor à profissão, atendeu famílias inteiras.

Mooquense raiz, seu consultório está localizado na avenida Paes de Barros, uma das mais importantes do bairro da zona leste da capital paulista, desde 1978. Lá, estão guardados prontuários de pacientes que datam de 1975, segundo o biólogo Ricardo Gandara Crede, 46, seu filho. O último atendimento no consultório ocorreu em 18 de agosto deste ano.

Além da família e da medicina, ele tinha outras paixões: o futebol e o Corinthians.

William Jorge Crede (1937-2021)
William Jorge Crede (1937-2021) - Arquivo pessoal


William era filho de sírios, da cidade de Homs. Seu pai, Jorge Abdo Crede, foi lojista na Mooca, local que nunca abandonou.

“Nas ruas de terra do bairro descobriu a paixão pelo futebol. Cultivou o sentimento pelo esporte ao frequentar o estádio do Pacaembu com o pai. Mais tarde, levou o futebol à faculdade e se destacou na defesa do time montado pelas primeiras turmas da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, onde se formou ainda na década de 1960”, conta Ricardo.

O médico era especialista em cirurgia do aparelho digestivo, mas por mais de 50 anos dedicou-se à clínica médica.

Funcionário do Hospital Samaritano, destacou-se no início das atividades da UTI, de acordo com Ricardo. “Ele também trabalhou por muitos anos no Hospital São Cristóvão, na Mooca, onde implementou novas técnicas cirúrgicas e atuou no ambulatório”, completa.

Do pouco tempo que dispunha para o lazer —raramente tirava férias para não abandonar os pacientes—, a família era prioridade. William gostava de dar presentes para todos e sair para jantar. Nos finais dos plantões dominicais apreciava a companhia do filho. Seu tempo também era aproveitado com a leitura de artigos acadêmicos e livros de medicina.

Sempre discreto, William fazia questão de ajudar instituições voltadas às crianças e aos idosos. Sócio do Clube Homs, mesmo a distância, nunca deixou de acompanhar as atividades da coletividade árabe em São Paulo.

William trabalhou até a semana anterior à sua internação no Hospital Samaritano. Foi de médico a paciente e morreu por complicações da Covid-19 no dia 28 de setembro.

Deixa o filho, Ricardo, a irmã, Leila, e os sobrinhos Maria Helena, Jorge e Suzette.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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