Mortes: Emocionava a todos ao cantar

Além da música e da família, Tarcízio Marcos Lessa gostava da natureza e do crepúsculo

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São Paulo

Na década de 1980, quando Tarcízio Marcos José dos Santos Lessa participou de um campeonato de karaokê interpretando "My Way", de Frank Sinatra, seu filho perguntou por que as pessoas estavam chorando. "Porque Deus me deu o dom de cantar e emocionar pessoas", respondeu ele.

Nascido na cidade de Guanhães (MG), Tarcízio se mudou ainda criança para Guarulhos, na Grande São Paulo, com os pais e os cinco irmãos, depois que um deles foi transferido para trabalhar na então nova base aérea da cidade.

Imagem em primeiro plano mostra um senhor idoso negro sentado e atrás dele um homem e uma mulher
Tarcízio Marcos José dos Santos Lessa (1937-2021) com os filhos Marcos e Adriana - Arquivo pessoal

"[Três anos depois] meu tio falou para o meu avô ‘venham para cá que eu já preparei a casa. Deixem tudo aí venham somente com as suas roupas’", afirmou Marcos Lessa, filho de Tarcízio.

Naquela época, a diversão da família era era pescar, caçar e jogar futebol. "O meu pai era muito habilidoso com a bola", afirmou o filho.

Marcos Lessa lembra também das vezes que saía com o pai para ir ao mercado e as compras duravam de duas a três horas, porque Tarcízio encontrava com muitos amigos no meio do caminho e parava para conversar.

Algumas dessas amizades vinham da época em que ele trabalhou na Olivetti, uma empresa italiana que fabricava máquinas de escrever, e que tinha uma filial em Guarulhos.

Ele começou na empresa em 1956. Com a oportunidade de emprego, foi estudar técnica industrial. Depois de passar por alguns departamentos tornou-se supervisor de linha de produção.

Com o novo cargo, já na década de 1970, passou a supervisionar também as filiais no Chile e na Argentina.

Depois da passagem pela Olivetti trabalhou em outras empresas e abriu até um comércio. Quando se aposentou passou a se dedicar mais a música.

"O meu pai cantou na rádio Record. Eu lembro que ele fez uma interpretação e foi tão boa que o radialista falou assim: ‘Tarcízio, Tarcízio, Tarcízio o negócio não é sopa’. E essa frase passou a ser falava em casa direto quando queríamos elogiar alguém", afirmou Marcos.

Para a filha Adriana Lessa, a música era uma forma dele se comunicar. Ela lembra também que o pai amava muito a natureza, principalmente o crepúsculo. "Quando o meu pai ficava na minha casa ele gritava na hora mágica: crepúsculo! Aí eu corria e a gente curtia o crepúsculo".

No dia 7 de dezembro, aos 84 anos, Tarcízio Marcos José dos Santos Lessa morreu em decorrência de insuficiência cardíaca e renal. Ele deixa a ex-mulher, dois filhos e uma neta.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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