Mortes: Muito caridosa, foi uma cozinheira de mão cheia

Ione Alves da Silva adorava fazer bolo de chocolate para os netos

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São Paulo

Era da cozinha de Ione Alves da Silva que saíam os pratos favoritos de toda a família, preparados com muito carinho. Entre as diversas especialidades, a lasanha e o bolo de chocolate, que os netos sempre pediam, vão ficar na lembrança afetiva dos parentes.

"Ela era uma excelente cozinheira. Era aquela vovó que fazia o bolo de chocolate preferido de um e o estrogonofe do outro, sempre muito dedicada", lembra a filha Valéria Bites, 49.

Mas não era só à família que ela se dedicava. Era muito caridosa com todos. Não tinha ninguém que passasse no portão de sua casa a que ela não estendesse a mão.

Imagem em primeiro plano mostra mulher negra sorrindo
Ione Alves da Silva (1946-2021) - Arquivo pessoal

"Ela tirava a comida que estava fazendo ali na hora do fogão para dar para a pessoa, era desse jeito", afirmou a filha.

Nascida no bairro do Bexiga, na região central da capital paulista, se mudou quando criança para a zona leste, onde conheceu o marido e se casou.

Depois da união, eles se mudaram para o Guarujá, no litoral sul de São Paulo. Na região trabalharam juntos como caseiros na praia da Enseada.

Quando o marido arrumou um emprego na Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), eles subiram a serra e voltaram para São Paulo. Compraram uma casa no bairro Bela Vista, em Guarulhos, e moraram na cidade da Grande São Paulo por 12 anos.

Nessa época, Ione Alves da Silva trabalhou como faxineira e empregada doméstica. Assim que o seu terceiro filho nasceu, porém, decidiu parar de trabalhar e passou a se dedicar à criação dos pequenos.

"[A partir de então] ela se dedicou só a gente. Era uma mãe extraordinária, que parecia uma avó. Uma mãe muito doce", diz Valéria.

Assim que o marido se aposentou, ela retornou para o litoral e se instalou em Praia Grande, onde viveu por mais de 20 anos. "Eles falavam que gostavam de São Paulo, mas gostavam mais ainda da praia", recorda a filha.

Outra memória de família —e que fez falta neste ano, confessa Valéria— eram as reuniões no Natal. Ione gostava muito da data e enfeitava a casa inteira.

"Quando éramos crianças, ela fazia questão de todo mundo se esconder. Aí alguém batia na janela e, quando íamos ver, estavam lá os nossos presentes. Ela queria que acreditássemos que Papai Noel existia. Ela acreditava muito nessa coisa da magia [do Natal]."

Devota de Nossa Senhora Aparecida, Ione morreu no dia 7 de dezembro, aos 75 anos, após uma parada cardiorrespiratória. Ela deixa três filhos e oito netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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