Descrição de chapéu Independência, 200

Museu do Ipiranga tem fachadas totalmente restauradas

Obra envolveu 54 profissionais e teve etapas inéditas na história do edifício-monumento

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

A restauração das fachadas do Museu do Ipiranga foi concluída recentemente, encerrando mais uma etapa nas obras de ampliação, reforma e restauro do edifício-monumento, iniciadas em outubro de 2019.

Com a reinauguração prevista para setembro, quando será celebrado o bicentenário da Independência do Brasil, o museu pode agora, enfim, "respirar".

vista aérea mostra palacete amarelo cercado por parque com árvores e arbustos
Museu do Ipiranga, em São Paulo (SP), tem suas fachadas totalmente restauradas - Eduardo Knapp - 4.fev.2022/ Folhapress

Isso porque, pela primeira vez em sua história, o restauro de suas fachadas envolveu as etapas de limpeza e decapagem (em que se removeram todas as camadas de tinta aplicadas anteriormente), bem como a pintura feita com tinta mineral, compatível com a estrutura do museu, de argamassa de cal.

As obras de restauro das fachadas, que têm 7.600 metros quadrados, área equivalente a seis piscinas olímpicas, começaram em fevereiro de 2020 e envolveram 54 profissionais entre restauradores, pedreiros, pintores e estucadores (responsáveis pela aplicação da argamassa).

Antes de iniciar a restauração, foi feito o que os especialistas chamam de "mapeamento de patologias", com análises em laboratório das argamassas utilizadas na construção. "Depois, nós procuramos a cal certa, verificando a compatibilidade de cada material", explica a diretora de obras, Maria Aparecida Soukef Nasser.

Depois desses estudos, as obras de restauro começaram com a etapa da lavagem, feita com uma máquina de pressão controlada, que lança água para remover as tintas anteriores.

"No meu entender, a lavagem e a decapagem são o maior ganho dessa restauração feita no Ipiranga", diz Marcelo Sancho, assessor em restauro da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp). "Pela primeira vez, chegou-se à argamassa pigmentada original, removendo todas as outras. Como essa camada original já teve muitas perdas, foi feita a recomposição geral da fachada com a argamassa de cal", explica.

Essa recomposição utilizou o traço de argamassa (a composição volumétrica do material) 3 para 1: três partes de areia e uma parte de cal hidratada. Este traço é comum na arquitetura eclética da época da construção do Museu do Ipiranga e, por isso, "esse é o material básico de toda a restauração", diz Sancho.

Depois da decapagem e da limpeza, começou a etapa da "demolição cuidadosa", em que são removidas todas as partes frágeis, podres ou que estavam se desprendendo. Tudo é removido, recuperado e aspirado antes de voltar ao local original.

Fachada restaurada do Museu do Ipiranga

Carregando imagens...
palácio amarelo com um canteiro de obras na frente, o céu está cinza com nuves
palácio coberto com andaimes e telas de proteção com um canteiro de obras na frente, o céu está azul pincelado com algumas nuvens brancas

Conclusão da restauração da fachada (fev.2022) e durante a obra (out.2021) - Eduardo Knapp

Nesse momento também foi feita a abertura de todas as trincas nas fachadas, que são tratadas com injeção de resina e com grampeamentos, com uso de grampos de aço inox.

Só depois de todos esses processos que começou o que Sancho chama de "restauração efetiva", quando a argamassa é aplicada. "Se um ponto tem uma perda muito grande, começa-se o preenchimento com uma areia de granulometria um pouco mais grossa, até chegar em um reboco fino, a areia que dá esse aspecto que todos já podem apreciar, de acabamento da fachada."

Weneilson Santos do Carmo, encarregado da restauração, destaca a quantidade de ornamentos nas fachadas do Museu do Ipiranga, que têm mais superfícies ornamentadas do que lisas.

"O museu se diferencia pelos detalhes, são muitos. E é o que mais me chama a atenção. Estes elementos que estão ali para enfeitar", os ornatos, explica o restaurador, são delicados, de difícil restauro e exigem equipe qualificada. "Mas é um ofício que todos que aprenderam podem agora sentir orgulho ao olhar a fachada do Museu do Ipiranga e pensar que participaram desse trabalho."

parte da fachada do museu, toda de cor amarela, com colunas ornamentadas e outros enfeites - nenhuma superfície é lisa
Detalhe da fachada do Museu do Ipiranga - Eduardo Knapp - 4.fev.2022/ Folhapress

A última etapa do restauro, a pintura, é apontada por Sancho como outro grande ganho desta restauração, pois foi feita "com a tinta apropriada, a tinta mineral, como a boa prática indica".

Tanto Sancho quanto Nasser afirmam que, em obras anteriores, foi aplicada a tinta acrílica, o que prejudicou as fachadas do Museu do Ipiranga por não ser compatível com a argamassa de cal que o compõe.

"A cal é um material que está sempre trocando com o ambiente e precisa respirar. Aplicando a tinta acrílica, quebra-se esse processo. A tinta mineral permite que a cal respire", diz o assessor de restauro.

Em outras palavras, a tinta acrílica "sufocava" o museu, enquanto a tinta mineral é absorvida pela argamassa de cal e lhe dá fôlego, evitando a retenção de umidade e problemas de condensação.

O tom da tinta foi escolhido a partir dos processos de limpeza e decapagem, que revelam as pigmentações usadas no passado. Os diferentes matizes foram indicando a coloração da argamassa pigmentada original.

Com uma cartela de cores e testes ampliados, feitos por uma equipe multidisciplinar de projetistas e restauradores, foi escolhido o tom mais próximo possível do original.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.