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Homicídios seguem em queda no RJ e têm menor número em 31 anos

Mortes por intervenção policial e roubos também diminuíram no primeiro trimestre

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Rio de Janeiro

Os homicídios seguem caindo no Rio de Janeiro. No primeiro trimestre deste ano, este tipo de crime voltou a atingir a menor marca em 31 anos no estado. Com isso, as mortes violentas em geral também chegaram a seu patamar mais baixo.

Foram 760 assassinatos de janeiro a março, número quase três vezes menor do que o registrado no mesmo período de 1991, quando se iniciaram as medições pelo ISP (Instituto de Segurança Pública). Isso representa uma redução de 18% em relação ao ano passado (928).

Par de havaianas sobre mancha de sangue em uma rua.
Operação policial na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio, terminou com oito mortos após intenso confronto em fevereiro - Tércio Teixeira - 11.fev.2022/Folhapress

O estado já vê uma queda anual constante nos homicídios intencionais desde 2018, portanto antes da pandemia de Covid-19, que reduziu a circulação de pessoas. Essa tendência ainda intriga pesquisadores da área, segundo os quais há ao menos três fatores que podem estar influenciando na diminuição.

O primeiro deles é o aspecto demográfico: a população está ficando cada vez mais velha, poupando vítimas que são em sua maioria jovens. Um segundo elemento é o investimento nas polícias fluminenses depois da falência pela qual o estado passou, principalmente, em 2016.

"Houve uma injeção de recursos bastante importante a partir do regime de recuperação fiscal e da intervenção federal [de fevereiro a dezembro de 2018]", diz o sociólogo Daniel Hirata, coordenador do Geni-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense).

O governador Cláudio Castro (PL) atribuiu os resultados à sua gestão ao divulgar os dados. "É consequência do trabalho que vem sendo realizado pelas polícias Civil e Militar, com reforço do [programa de patrulhamento] Segurança Presente", afirmou ele em nota.

O terceiro motivo passa por uma reconfiguração do controle territorial armado do estado, segundo Hirata. Locais que já tiveram guerras entre diferentes grupos e depois se estabilizaram, por exemplo, costumam ter quedas significativas.

Algumas das áreas que tiveram reduções consideráveis nos assassinatos neste primeiro trimestre foram Ipiiba e Sete Pontes, no município de São Gonçalo (de 32 para 12), o centro de Duque de Caxias (de 27 para 11) e São Pedro da Aldeia (de 10 para 1), na Região dos Lagos.

Há ainda uma ponderação sobre o aumento simultâneo de desaparecimentos no estado, na contramão dos homicídios. "Há uma concentração desses casos em áreas de milícias. Elas sabem como as forças policiais atuam e têm diversas estratégias de encobrir os assassinatos", diz o pesquisador.

No primeiro trimestre deste ano, foram registradas 1.416 pessoas desaparecidas, 413 a mais do que no mesmo período do ano passado. O número é superior ao de mortes violentas (1.099), que incluem homicídios, óbitos por policiais, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

"Uma outra dimensão dessa questão, igualmente importante, é que a gente vê uma redução nos indicadores dos crimes contra propriedade e homicídios bastante consistente, mas a letalidade policial não vem caindo na mesma proporção", afirma o sociólogo.

As mortes decorrentes de intervenções policiais passaram por uma alta vertiginosa no Rio de Janeiro entre 2014 e 2019, com a falência das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e outros fatores, batendo recordes ano a ano.

Depois, caíram em 2020 com a pandemia e uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que limitou operações em favelas. Em 2021, tiveram uma leve alta. Agora, uma nova queda de 30% no primeiro trimestre deste ano (318), em comparação ao mesmo período do ano passado (454).

Cerca de um terço das mortes violentas do RJ são causadas pela polícia, quase o triplo da média brasileira, que gira em torno de 12%. O plano apresentado por Cláudio Castro em março para reduzir esses números, exigido pelo STF, foi alvo de críticas de especialistas.

Nesta quarta (27), o governador divulgou que vai expandir o uso de câmeras portáteis nos uniformes de policiais militares para dez batalhões a partir de 16 de maio, incluindo os de Copacabana, Leblon, Botafogo (zona sul), Méier, Tijuca e Maré (zona norte).

Até agora, apenas agentes que atuam na Lei Seca e envolvidos no evento do Réveillon estavam usando o equipamento. O novo cronograma prevê que todas as unidades operacionais convencionais do estado estejam utilizando 8.000 câmeras até o final do primeiro semestre.

Os crimes contra o patrimônio também continuaram em queda no estado no primeiro trimestre de 2022, em relação ao mesmo período de 2021. Os roubos de rua, que incluem assaltos de celular, a pedestre e em coletivos, diminuíram 24% (de 19.029 para 14.499) e os roubos de carga, 5% (de 1.111 para 1.054).

Esse último tipo de crime, que explodiu entre 2013 e 2017, foi alvo de uma mobilização grande envolvendo associações patronais, de transporte, Firjan (Federação das Indústrias do RJ) e o governo do estado a partir de 2018, o que fez os índices despencarem sistematicamente.

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