Descrição de chapéu Obituário Luiz Carlos Missao Sugimoto (1957 - 2022)

Mortes: As árvores da praça da Paz, na Unicamp, foram referência para jornalista

Ao longo de 23 anos, Luiz Sugimoto ia diariamente ao seu local preferido na universidade; e lá morreu

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São Paulo

Durante mais de duas décadas, a praça da Paz, na Unicamp, foi um dos refúgios preferidos do jornalista Luiz Carlos Missao Sugimoto. Ao longo de 23 anos, ali costumava refletir em silêncio quando acendia um cigarro.

Ao anunciar sua saída da assessoria de comunicação da Universidade de Campinas, em 1º de abril, ele reverenciou o local. "Quando cheguei, em 1999, havia apenas mudas de árvores plantadas na praça da Paz. Gosto de pensar que cresci junto com elas no campus", escreveu em suas redes sociais.

De fala mansa, mas sem baixar o tom em seu texto crítico, quando era necessário, Sugimoto foi uma referência aos tantos colegas que fez nos seus mais de 40 anos de profissão. A sua morte comoveu o jornalismo de Campinas.

Luiz Sugimoto, jornalista, morreu no último dia 13 de maio, aos 65 anos - Arquivo pessoal

"Uma vez questionei como ele conseguia realizar entrevistas, pois quase não falava e era sempre baixo", conta a filha Yuri Noronha Sugimoto, 40. "Ele respondeu dizendo que o importante era saber ouvir."

Nascido em Bauru (a 329 km da capital paulista), mudou-se com a família ainda pequeno para a Penha, na zona leste de São Paulo.

Jovem de boa escrita, foi contratado pelo antigo Diário Popular em meados da década de 1970. Cobriu a Copa da Espanha, em 1982. Viu de perto a seleção de Zico, Sócrates e Falcão encantar e fazer o mundo chorar na "tragédia do Sarriá", estádio onde o Brasil foi eliminado pela Itália.

Mudou-se para Campinas (a 93 km da capital) na década seguinte. Na cidade, trabalhou nas redações do antigo Diário do Povo e do Correio Popular, na assessoria de imprensa da prefeitura e na Unicamp, onde fincou raízes.

Sugimoto costumava demonstrar seu afeto no fogão. As feijoadas e dobradinhas do pai eram famosas. Difícil, diz Yuri, era esperar o ano inteiro pelo salpicão de Natal.

O bacalhau do Dia das Mães, preparado para filha e para a ex-mulher Inês, 62, de quem nunca deixou de ser companheiro, foi o último almoço em família.

E ao longo de dois anos de isolamento na pandemia em casa, com ela e o neto Felipe, 11, Sugimoto amadureceu a ideia de que talvez tivesse chegado a hora de parar e aproveitar os gêmeos Cauê e Felipe, que iriam chegar em 18 de abril.

Com olhos marejados, ele anunciou para a família, no fim de março, que iria se desligar da Unicamp.

Em 24 de abril, publicou uma foto dos netos gêmeos em suas redes sociais. Foi a última vez que viu o filho Thiago, 36, pai dos meninos.

No dia 13 de maio, Sugimoto foi até a Unicamp levar documentos da sua rescisão e deu uma passada para ver os amigos na assessoria de imprensa antes de ir embora. Ao chegar ao carro, estacionado junto à praça da Paz, o coração não resistiu. E ali caiu, no seu refúgio de silêncio. "As árvores ficam", havia escrito naquele seu anúncio de despedida da universidade.

Sugimoto morreu aos 65 anos. Deixou os filhos Yuri e Thiago e os três netos, que chamava de samurais, Felipe, Cauê e Pedro.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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