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Projeto para cobrar taxa de túmulo em cemitério é aprovado em Araraquara

Proposta provocou novo embate entre bolsonaristas e o prefeito Edinho Silva (PT); oposição estuda recurso judicial

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Ribeirão Preto

A Câmara de Araraquara (a 273 km da capital paulista) aprovou em segunda votação na tarde desta quinta-feira (9) o projeto do prefeito Edinho Silva (PT) que cria uma taxa anual pelo uso de jazigos nos cemitérios públicos da cidade. O texto foi alvo de um forte embate entre o petista e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL). A oposição estuda recorrer judicialmente.

O projeto de lei complementar determina a cobrança de uma UFM (unidade fiscal do município) por metro quadrado ocupado nos cemitérios São Bento e das Cruzes (conhecido como dos Britos), o que equivale atualmente a R$ 66,36, e foi batizado por opositores de "IPTU dos Mortos", termo refutado pelo governo municipal.

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT)
O prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT) - Reprodução

A proposta foi aprovada nesta quinta por 10 votos a 7, o mesmo placar registrado na primeira votação e exatamente o necessário para que passasse pela Câmara. Agora o projeto vai à sanção de Edinho.

Embora não tenha conseguido barrar a taxa, a oposição vai analisar a possibilidade de ingressar com uma ação judicial, de acordo com o vereador Lineu Carlos de Assis (Podemos), um dos sete contrários à proposta.

"Pagamos impostos, como IPTU, ISS e iluminação pública. O IPTU contempla todos os espaços públicos da cidade e cemitério é um deles. Acredito que o próximo passo é a privatização dos cemitérios. É questão de tempo, não tenho a menor dúvida", afirmou.

Lineu é um dos quatro vereadores que no ano passado votaram a favor de um requerimento de processo de investigação e cassação do prefeito em razão de ações na pandemia da Covid-19. O município foi o primeiro do país a decretar lockdown, o que rendeu críticas de Bolsonaro a Edinho.

A proposta de cassação foi rejeitada por 13 a 4 um dia depois de o requerimento ter sido protocolado na Câmara num ato com a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente da República.

Nas redes sociais, o projeto foi atacado por bolsonaristas como o empresário Luciano Hang, dono da Havan, que disse que em Araraquara as pessoas nem morrer em paz poderiam mais.

Edinho disse à Folha que a previsão é arrecadar anualmente R$ 3 milhões, o suficiente para cobrir os custos dos cemitérios, de R$ 2,5 milhões, e investir em melhorias nos espaços.

Segundo ele, que é um dos coordenadores da pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, a concessão dos túmulos na cidade é gratuita e um dos objetivos do projeto é evitar o comércio ilegal de sepulturas na cidade.

Os ossos nos jazigos podem, posteriormente, ser destinados ao ossário municipal para que abra espaço no túmulo para o enterro de um familiar, mas o que tem ocorrido, na avaliação da administração, é a venda ilegal das áreas.

A taxa já é paga no cemitério dos Britos, com 5.000 sepulturas, mas não no São Bento, maior, com 11 mil, e que fica na região central de Araraquara.

"Ninguém vai pagar taxa se não for dono do túmulo, é um instrumento para manter a concessão atualizada. Não arrecada tributo com cemitério, isso não existe, você reverte para manutenção do local", afirmou Edinho.

O petista disse ainda que os valores envolvidos são muito pequenos em relação ao Orçamento municipal, estimado para este ano em R$ 1,1 bilhão.

IMBRÓGLIO

As discussões envolvendo bolsonaristas e o prefeito de Araraquara tiveram início no pandemia da Covid-19, quando a cidade do interior paulista decidiu adotar lockdown, o primeiro no país.

Contrário às medidas restritivas, o presidente da República passou a atacar o prefeito.

"Nós temos um prefeito que não sei o que tem na cabeça dele, de Araraquara, que novamente [está] programando um novo lockdown na sua cidade, e uma cidade também que morre mais gente que a média do Brasil", disse Bolsonaro numa live antes do início da segunda fase de medidas restritivas no município.

Depois ele usou a distribuição de alimentos da Ceagesp na cidade, também na pandemia, para atacar novamente o lockdown, o que repetiu posteriormente em conversa com apoiadores em Brasília.

"Araraquara acabou nacionalizando um debate com o bolsonarismo. Na pandemia, quando nós fizemos lockdown, o bolsonarismo, o próprio presidente, escolheu Araraquara como instrumento de polarização. Agora, com o ambiente eleitoral e o papel que estou cumprindo na campanha nacional, estão mais uma vez nacionalizando Araraquara, nesse caso num debate totalmente municipal e corriqueiro. Enfrentar o bolsonarismo por tudo o que ele representa hoje para mim é uma honra, porque sei que de um lado está o fascismo e de outro, a democracia, que eu represento", afirmou o prefeito.

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