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PT de São Paulo diz confiar na versão de vereador investigado por suposto elo com PCC

Nota de presidente do partido destoa de recomendação de cautela

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São Paulo

Em dissonância com dirigentes nacionais do partido que recomendam cautela sobre o caso, o presidente do PT no município de São Paulo, Laércio Ribeiro, fez nesta sexta-feira (10) uma defesa enfática do vereador Senival Moura, alvo de uma investigação da polícia sobre uma suposta ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em nota creditada à direção do partido, Laércio Ribeiro afirma que "o Diretório Municipal do PT da Capital confia na versão apresentada pelo parlamentar", ressaltando que "irá acompanhar o desenvolvimento das investigações encaminhadas pela Polícia Civil Paulista".

O vereador Senival Moura (PT) discursa na Câmara de São Paulo
O vereador Senival Moura (PT) discursa na Câmara de São Paulo - Afonso Braga - 19.fev.20/CMSP

O vereador é um dos investigados em uma operação que apura a suposta participação do crime organizado no transporte urbano na capital paulista. A suspeita, segundo a polícia, é que seja sócio oculto de uma empresa de ônibus usada para lavagem de dinheiro.

Reportagem da Folha mostrou que, segundo a polícia, ele chegou a ter a morte decretada pelo PCC porque não estaria realizando o repasse de valores devidos aos membros da facção. A investigação apontou que esses recursos eram provenientes de uma empresa de ônibus, a Transunião, que era usada para lavagem de dinheiro.

A polícia afirma ter encontrado documentos relativos a essa frota de ônibus durante uma ação de busca e apreensão realizada em seu escritório na manhã desta quinta-feira (9). Sob ameaça, o parlamentar teria entregado 13 veículos do qual era proprietário para a facção.

A suspeita que paira sobre Senival constrange o PT às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. Os petistas temem prejulgar o vereador sem que a investigação, que é conduzida pelo governo de São Paulo, esteja concluída.

Temem, porém, os danos às candidaturas caso seja constatada participação dele com o crime organizado. A nota publicada nesta sexta-feira deixa uma brecha para que o partido reveja esse voto de confiança ao pedir que o caso seja resolvido rapidamente.

"Confiamos na Justiça e esperamos celeridade e isenção, para que nenhum inocente seja considerado culpado antecipadamente e seja garantido o direito de ampla defesa e contraditório".

A informação de que o vereador Senival Moura é investigado pela polícia causou apreensão no comando do PT nacional. Ao saber que a casa e o escritório do vereador tinham sido alvo de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (9), integrantes da cúpula partidária procuraram Laércio atrás de informações.

Além de buscar esclarecimentos, petistas discutem que medidas adotar caso se confirme a suspeita de envolvimento do vereador com o crime organizado. Apesar da divulgação de nota em apoio ao vereador, sua expulsão não está descartada.

Na tarde de quinta, petistas chegaram a alimentar a a esperança de que Senival tomasse a iniciativa de se afastar, poupando a cúpula partidária de constrangimentos.

Em uma nota divulgada no fim da tarde de quinta, o vereador negou envolvimento nas ações investigadas, afirmando que passará pelo momento com "serenidade, tranquilidade e consciência tranquila".

Foi em resposta a essa nota que o PT disse confiar no vereador. O texto não agradou integrantes do partido para os quais a nota é um cheque em branco.

Em agosto de 2014, o então deputado estadual Luiz Moura, irmão de Senival, foi expulso do partido, também sob suspeita de ter ligações com a facção criminosa PCC.

Os irmãos passaram a apoiar o ex-chefe de gabinete Senival, Jorge do Carmo, para a vaga de Luiz Moura. Dr. Jorge, como é conhecido, ocupa uma cadeira da Alesp.

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