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Aeroporto de Porto Alegre exibe sinais da destruição um mês após alagamento

Danos no Salgado Filho incluem esteiras, elevadores e escadas rolantes, lojas e órgãos públicos; pista, submersa por mais de 20 dias, está em fase de limpeza

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Operários trabalham na pista do aeroporto Internacional Salgado Filho Carlos Macedo/Folhapress

Porto Alegre

Mais de um mês após a interrupção das operações por tempo indeterminado, o aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, ainda exibe sinais da destruição causada pela enchente do lago Guaíba.

Dentro do terminal de passageiros no térreo, a remoção da maior parte do entulho já foi feita, mas o chão segue coberto por uma camada fina de lama seca.

A água que inundou a pista no dia 3 de maio subiu rapidamente e, em quatro dias, atingiu 65 centímetros no pavimento. Desde então o aeroporto está fechado, e o prazo previsto para reabertura é a segunda quinzena de dezembro.

O térreo concentra operações de desembarque nacional e internacional, recheck-in e órgãos públicos como Receita Federal, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Polícia Civil e PF (Polícia Federal).

Também foram atingidas locadoras de veículos e empreendimentos como Starbucks, livraria Cameron, Rei do Pão de Queijo e NBA Park.

Os bancos de espera estão sujos com detritos como barro, folhas e pequenos galhos, e a bem iluminada sala de desembarque estava às escuras.

No pavimento também estão o equipamento de esteiras de bagagem, elevadores e escadas rolantes, todos danificados pela imersão.

A pista do aeroporto, submersa por mais de 20 dias, já está quase toda seca e sem grandes pontos de lama volumosa. O trabalho de varredura começou na segunda-feira (3), para remover a sujeira acumulada nas ranhuras.

Sala de embarque do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, cheia de lama após passar um mês alagado - Carlos Macedo/Folhapress

"Estamos falando do pavimento que é de uma pista, e não é simplesmente um asfalto como se faz em uma rodovia", disse Edgar Nogueira, vice-presidente da Fraport Brasil.

Segundo ele a camada de recape de uma pista de aviação pode ter entre 30 a 40 centímetros de espessura.

A faixa preparada, área de vegetação na lateral da pista, ainda tem água. "Isso indica que provavelmente o subsolo está encharcado", diz Nogueira. "Precisa ser feita essa sondagem para avaliar o subsolo e ver quanto esse subsolo vai aguentar de impacto, e se as operações vão poder acontecer".

A operação de sondagem do solo para identificar o nível de infiltração de água deve ser concluída em 45 dias. A partir dessa data, um prazo específico será estipulado. Ainda assim, o retorno não será completo.

"Dezembro é uma operação parcial", disse o vice-presidente da Fraport Brasil. A operação incluiria "voos domésticos com pista reduzida, não atendendo todas as aeronaves".

Na segunda-feira (3), uma comitiva integrada pelo ministro Paulo Pimenta (PT), agentes da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a CEO da Fraport Brasil, Andreea Pal, se reuniu para delimitar o cronograma de ações para a retomada das atividades do Salgado Filho.

"Para que isso aconteça em dezembro, precisamos de vários entes trabalhando em conjunto", disse Nogueira. Isso inclui a chegada de equipamentos importados no prazo e a parceria da Aeronáutica para a retomada das operações.

Enquanto esta etapa não chega, funcionários da Fraport atuam na limpeza do terminal, e contam com o apoio de agricultores voluntários.

A drenagem da pista foi auxiliada por arrozeiros de diferentes partes do Rio Grande do Sul, que trouxeram equipamentos de captação de água para auxiliar no bombeamento.

Uma equipe de cerca de 20 pessoas trabalhou alternadamente com seis bombas com capacidade de captar 600 litros/segundo e quatro de 300 litros/segundo.

Na foto, um homem de blusão azul marinho e cuia a mão está com o braço levantado. Ao fundo, a grama e o aeroporto de Porto Alegre.
O arrozeiro Daniel Jaeger Gonçalves é um dos voluntários que ajuda com as bombas pra drenagem da pista - Carlos Macedo/Folhapress

O arrozeiro Daniel Jaeger Gonçalves veio de Jaguarão, na fronteira com o Uruguai, para auxiliar na operação. "O aeroporto estava totalmente tomado de água, essa água foi sendo puxada inclusive dos bairros em torno do aeroporto para cá", diz.

Gonçalves diz que o trabalho começou há dez dias. "Foram dias de frio, dias de chuva, quem acompanhou aí pode ver e a gente não parou nunca. Conseguimos tocar nossas bombas 24 horas por dia, um trabalho de voluntários, para secar o aeroporto".

Segundo o agricultor, a ideia surgiu de produtores rurais em Pelotas, que fizeram um planejamento para identificar onde haveria maior viabilidade para colocar bombas utilizadas nas lavouras de arroz.

"Em conjunto com o Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos), se achou a viabilidade técnica no aeroporto, por termos um lugar de onde retirar essa água, e colocar a água sem que atrapalhasse nenhum outro lugar na cidade".

A água drenada vai para o arroio Areia, que desemboca em um trecho do rio Gravataí atendido por bombas temporárias da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) emprestadas ao Rio Grande do Sul.

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