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09/08/2010 - 08h49

Paredão é erguido para conter mar em Florianópolis (SC)

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FELIPE BÄCHTOLD
ENVIADO ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS

Em poucas semanas, o mar engoliu uma faixa de areia em uma praia de Florianópolis (SC) e fez o município construir um extenso muro para evitar destruição em um bairro da cidade.

Uma sequência de ressacas a partir de abril, influenciadas até por ciclones, danificou ou destruiu mais de cem casas na ilha onde fica a capital de Santa Catarina e levou a prefeitura a decretar situação de emergência.

A região mais afetada é a praia da Armação, um bairro bucólico ao sul da ilha, com cerca de 8.000 moradores.

Em quase 2 km de orla onde havia turistas caminhando ou praticando esportes, agora há caminhões despejando pedras de até 20 toneladas para segurar as ondas. A obra, feita pela prefeitura ao custo de R$ 10 milhões, é criticada por especialistas.

Só na Armação, foram danificadas 74 casas, muitas delas de alto padrão. Moradores dizem que, em alguns pontos, o mar 'comeu' até 30 metros de faixa de areia e que milhares de árvores foram arrancadas.

A praia já vinha sofrendo erosão acentuada nos últimos dez anos e tinha areia escassa em alguns locais.

Jorge Araújo/Folhapress
Praia da Armação, em Florianópolis, onde está sendo construído muro contra ressacas
Praia da Armação, em Florianópolis, onde está sendo construído muro contra ressacas

CRÍTICAS

Especialistas apontam a urbanização intensa em área próxima ao mar como uma das causas do problema e descartam ligação com o aquecimento global. A possibilidade de uma recuperação natural da areia é incerta.

A prefeitura diz que casas destruídas nas proximidades da praia não serão reerguidas, porque eram irregulares, e que pretende repor a faixa de areia artificialmente com uma draga, mas ainda não há uma data para isso.

João Luiz Baptista de Carvalho, doutor em engenharia oceânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, diz que o muro não resolve o problema e pode "potencializar a erosão" na praia. As ondas podem escavar a areia embaixo da barreira, afirma.

Carvalho diz que uma explicação para a destruição foi uma mudança no regime de ventos no verão, o que enfraqueceu a reposição de areia. Para o secretário-geral da Associação Brasileira de Oceanografia, Fernando Diehl, fenômenos do tipo já ocorreram antes, em uma época sem casas ao redor.

O geólogo Rodrigo Sato diz que o que provocou um desequilíbrio na dinâmica das águas e enfraqueceu a faixa de areia foi um molhe -paredão erguido décadas atrás na foz de um rio na localidade.

TURISMO

Além de afetar o visual, o muro na praia da Armação também tem um impacto no turismo, principal atividade econômica da localidade. Nos meses de verão, a população local quintuplica, o que garante a renda dos comerciantes no resto do ano.

Donos de hospedarias na localidade, que fica a 20 km do centro de Florianópolis, afirmam que a barreira pode provocar fuga de turistas.

Danúsia Miranda, dona de pousada, diz que o visitante que já conhecia a praia ficará "chocado" com o muro. Guerrando Júnior, afirma que não recebeu mais hóspedes desde que 'não aposta' no futuro do bairro.

A comunidade de pescadores diz que a produção está muito abaixo do normal.

 

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