Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
12/01/2011 - 20h38

Moradores de Mauá (SP) se recusam a deixar casas interditadas após chuva

Publicidade

DA AGÊNCIA BRASIL

Ao menos 154 casas foram interditadas em Mauá, na região metropolitana de São Paulo, depois da morte de cinco pessoas em desmoronamentos causados pelas chuvas desta semana. Grande parte dos moradores desses locais, entretanto, se recusa a deixar as residências mesmo sabendo que, a qualquer nova chuva forte, eles podem se tornar mais uma vítima das tempestades.

Chuva mata 245 na região serrana do Rio
Chuva diminui em São Paulo; meteorologia prevê novas pancadas
Jardim Romano fica seco, mas vizinhos continuam submersos
Leia a cobertura completa sobre a chuva

Das cinco mortes em Mauá, três ocorreram no mesmo bairro, o Zaira. Duas, em um desmoronamento na semana passada e mais duas na queda de um barranco a poucos metros do primeiro desmoronamento, durante a chuva da madrugada de segunda para terça-feira.

O Zaira é um aglomerado de casas construídas na encosta de alguns morros. Nele, moram milhares de pessoas que, embora vivam sob o risco de acidentes há anos, recusam-se a deixar suas moradias por falta de um outro lugar para morar.

"Não vou assinar coisa nenhuma", respondeu hoje Daniel de Caldas da Silva à agente da Defesa Civil de Mauá, ao ser informado que sua casa acabara de ser interditada. "Você não me oferecem nenhum lugar para que eu possa ir. Como eu vou sair daqui?"

Daniel mora no Zaira há 13 anos. Construiu com vizinhos e família a sua própria casa, onde ele vive com mais sete pessoas. Entre elas, sua mãe, de 67 anos.

A casa de alvenaria está com sua frente intacta. Porta e janelas novas e o reboco camuflam o perigo. Atrás, porém, acumulam-se quilos de lama que desceram do barranco que desmoronou há dois dias. "Sei que tenho que sair. Já tirei algumas coisas. Mas não tenho onde colocar tudo."

A situação de Daniel é a mesma de Cícera de Souza Cruz. A casa dela também fica à beira do morro que desmoronou na segunda-feira e foi interditada pela Defesa Civil. Assim como Daniel, ela não cogita deixar o local. "A gente vive com medo, mas não tem saída."

Na casa interditada moram Cícera e o marido e a irmã dela e o cunhado. O casal teve a casa invadida pela lama. Sabendo do risco de passar a noite ali, Cícera dormiu na casa de vizinhos na noite de ontem. Porém, um furto a fez mudar de ideia.

"Passei um noite fora e invadiram minha casa. Roubaram meu botijão de gás", disse. "Todas as minhas coisas e da minha irmã estão aqui. Não posso abandonar tudo."

A prefeitura de Mauá informou que recomenda que todos os moradores de áreas interditadas deixem esses locais imediatamente. Segundo a prefeitura, as famílias desalojadas podem ir para abrigos provisórios montados em escolas ou então para um novo abrigo que será inaugurado amanhã.

A prefeitura também informou que desabrigados poderão ficar no abrigo pelo tempo que quiserem. Ainda de acordo com a prefeitura, as famílias terão direito a auxílio aluguel para que possam arrumar outro local para morar. O valor da ajuda e o tempo que ele será pago, contudo, não foram divulgados.

 

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página